BP: “Só pode ser lapso matemático” dizer que margens das petrolíferas aumentaram

  • Lusa
  • 16 Janeiro 2017

O presidente da BP, Pedro Oliveira, diz que falar de aumento da margem comercial do setor petrolífero "só pode ser um lapso matemático", e apela ao Governo para dar eco às conclusões da concorrência.

O presidente da BP Portugal, Pedro Oliveira, defende que falar de aumento da margem comercial do setor petrolífero “só pode ser um lapso matemático“, apelando ao Governo para dar eco às conclusões da Concorrência “mesmo que não sejam populares”.

Questionado sobre o pedido à Autoridade da Concorrência (AdC) para aferir mudanças na formação do preço dos combustíveis, nomeadamente um aumento da margem comercial, Pedro Oliveira atribui a “um lapso matemático”, considerando que, “provavelmente, o Governo não olhou para os números como devia ter olhado“.

“Estamos tranquilos, venham todos os estudos. Agora, quem depois utiliza as conclusões tem que ter coragem de fazer eco dessas conclusões mesmo que não sejam socialmente populares. Isso é que ninguém fez até hoje”, declarou o presidente da BP Portugal, em entrevista à agência Lusa.

Pedro Oliveira lembrou que a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) – que a BP integra – fez as contas, mostrando que a percentagem das margens aumentou, porque o preço médio de venda ao público desceu entre 2012 e 2016.

Mas, contrapôs, “o valor da AdC – custos de armazenagem, distribuição e comercialização, onde se encontra a margem grossista e retalhista – para a gasolina 95 desceu 2,7 cêntimos/litro e para o gasóleo rodoviário desceu 2,1 cêntimos/litro”.

Para Pedro Oliveira, que desde novembro passou a ser também responsável pela rede da BP em Espanha, “o que é importante é deixarem de utilizar um setor socialmente tão relevante como arma de arremesso político, porque é um setor demasiado sério para poder ser tratado dessa maneira”.

“Só peço é que quem venha olhe para os números de forma pragmática e não tenha medo de chegar a conclusões que não são populares e dar o mesmo eco às conclusões que não são populares como às que são populares”, declarou.

Em relação à extinção da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC), decidida no parlamento em novembro, Pedro Oliveira considera que se trata de “baralhar e dar de novo”.

Vejo [a extinção da ENMC] com alguma complacência. Quando não se encontram as conclusões que se gostariam de encontrar uma maneira simples de tentar fazer parecer que atuamos é construir, destruir organismos, cortar, distribuir e dar de novo. O mercado de combustíveis tem sido bastante profícuo. Este é mais um movimento de organismos dentro do nosso setor”, declarou.

Ainda assim, vê com bons olhos que algumas das competências da ENMC passem para a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), porque “sempre demonstrou uma enorme competência neste setor”.

“Sabemos também que alguma componente regulatória passará para a ERSE [Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos] e tenho enormíssimas e positivas expectativas em relação à ERSE, porque é um organismo de reconhecida competência técnica na área da energia. Sentimo-nos muito confortáveis por passarmos a ser acompanhados pela ERSE”, acrescentou.

Oleoduto até Sines não tem racional económico

O presidente da BP Portugal diz que a extensão do oleoduto de Aveiras até ao Porto de Sines, que o Governo vai avaliar, não tem racional económico, e critica a imposição à CLC de abrir as instalações a terceiros.

Em teoria, Pedro Oliveira considera que o prolongamento do oleoduto que liga o parque de combustíveis de Aveiras de Sines, propriedade da Companhia Logística de Combustíveis (CLC), à refinaria da Galp até ao Porto de Sines, mais oito quilómetros, é uma boa ideia, mas sem justificação económica.

“Se existisse um racional económico, a BP já o teria feito. Se alguém o quer fazer, pois que o faça, mas em Portugal não há nenhum constrangimento à entrada de produto”, defendeu em entrevista à Lusa quando questionado sobre a intenção do Governo de avaliar e tomar os procedimentos para o prolongamento do oleoduto para aumentar a concorrência.

O presidente da BP Portugal considerou que “nenhum agente económico responsável investe massivamente em infraestruturas logísticas“, realçando que “não são um fator diferenciador e daí que as grandes multinacionais sejam cada vez menos donas de infraestruturas logísticas”.

“Quem olhe para este mercado que não é de crescimento – até terá erosão marginal ao longo do tempo – a tendência é que exista capacidade ociosa. E é por isso que nenhum agente económico responsável investe em infraestruturas logísticas”, acrescentou.

Sobre a definição de regras de acesso a terceiros às instalações petrolíferas da operadora CLC – que tem como acionistas a Galp (65%), a Repsol (15%), a BP (15%) e a Rubis (5%) -, declaradas de interesse público pelo executivo de Passos Coelho, Pedro Oliveira diz que o que está mal é o princípio de ingerência num investimento privado.

“Aquela instalação é privada, feita por operadores, entre os quais a BP, que se sentem injustiçados por virem dizer o que tem que se fazer na nossa casa”, declarou.

O presidente da BP Portugal realça que acima de tudo os acionistas da CLC questionam o “princípio”, não se tratando de “não querer dar acesso [às instalações petrolíferas] a outros operadores”.

Ainda recentemente, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, defendeu que o prolongamento do ‘pipeline’ – que atualmente termina na refinaria da Petrogal, em Sines, até ao Porto de Sines – só fará sentido se acompanhado por uma mudança das regras de utilização das infraestruturas, que foram publicadas em dezembro em Diário da República.

Segundo Pedro Oliveira, estas regras estão a ser cumpridas pela CLC, enquanto decorre a contestação nos tribunais.

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