BES: Nova associação de lesados critica solução para papel comercial

  • Lusa
  • 2 Março 2017

A Associação de Lesados do Papel Comercial crítica a solução por implicar um teto máximo e uma menor compensação aos lesados com maiores investimentos.

A Associação de Lesados do Papel Comercial (ALPC) do BES, criada na quarta-feira, critica a solução encontrada para compensar os investidores, por considerar que não há igual tratamento para todos.

“Não achamos correta a solução porque deveria ser igual para todos. Não concordamos com o teto máximo dos 250 mil euros [que cada lesado poderá receber]”, disse Rui Alves, um dos sócio-fundadores e dinamizadores desta associação, à Lusa.

Apesar da crítica à solução por implicar um teto máximo e uma menor compensação aos lesados com maiores investimentos, acima de 500 mil euros, Rui Alves afirmou que a ALPC não tem uma posição conjunta contra a adesão à solução. “A solução é de cada um, cada cliente é que saberá a posição que tomar”, de aderir ou não ao contrato de adesão, disse.

Rui Alves disse ainda que a ALPC tem sócios com vários montantes de investimento em papel comercial vendido pelo BES, desde os 200 mil euros e que aceita sócios de montantes de investimento mais baixos se estes se quiserem juntar à associação.

Questionado sobre se esta associação é feita por dissidentes da mais conhecida Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC), Rui Alves explicou que decidiram formar um grupo independente por consideraram que havia princípios que não eram respeitados. “Temos um lema que é clareza, informação e é transparência e esse lema fez com que nos afastássemos da associação”, disse.

Segundo o registo da conservatória, a ALPC tem como presidente da direção Mário Filipe Simões Lopes, Luís Miguel Ferreira como presidente da mesa da assembleia-geral e Carlos Lourenço como responsável do conselho fiscal.

No final de 2016 foi encontrada uma solução, com o beneplácito do Governo, para compensar os mais de 4.000 clientes que investiram, aos balcões do BES, 434 milhões de euros em papel comercial das empresas Espírito Santo Financial e Rio Forte, do Grupo Espírito Santo (GES), poucos meses antes do colapso

Desde o início de 2017 que o grupo de trabalho dos lesados do papel comercial (constituído por Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial, Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários, Banco de Portugal, ‘banco mau’ BES e Governo) se reúne regularmente para operacionalizar a solução.

O contrato de adesão a esta solução deverá ser apresentado a cada lesado até final deste mês, de acordo com o calendário inicial.

Os clientes que aceitem o mecanismo proposto irão recuperar 75% do valor investido, num máximo de 250 mil euros, isto se tiverem aplicações até 500 mil euros. Já acima desse valor, irão recuperar 50% do valor investido.

Por exemplo, para uma aplicação de 400 mil euros serão pagos 250 mil euros, o valor máximo possível para esse montante, ainda que seja abaixo dos 75%. Já para uma aplicação de 600 mil, serão pagos 300 mil euros.

Ou seja, os clientes assumem perdas, mas recebem desde já dinheiro por que teriam de esperar anos, provavelmente, para recuperar em processos em tribunal e de forma incerta.

A intenção é que a primeira parcela (cerca de 30% do total) seja paga já este ano, no momento de assinatura do contrato de adesão por cada lesado, sendo o restante valor reembolsado até 2019. O valor será pago aos clientes lesados por um fundo de indemnizações que está a ser criado.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

BES: Nova associação de lesados critica solução para papel comercial

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião