Quem é Dijsselbloem, o holandês que revoltou os países do sul

Presidente do Eurogrupo, ministro das Finanças da Holanda e presidente do Conselho de Governadores do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Quem é Dijsselbloem?

Uma declaração bastou para marcar a agenda política da semana:

A declaração é de Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças holandês e presidente do Eurogrupo. A revolta é dos países afetados pela crise, sobretudo os do Sul da Europa, os tais que gastaram dinheiro em “bebidas e mulheres”. Em um dia, o homem que já tinha sinalizado que queria cumprir o mandato como presidente do Eurogrupo até janeiro de 2018 — apesar de, neste momento, e após as legislativas na Holanda, ser apenas ministro das Finanças interino –, conseguiu que, de todos os lados, viessem pedidos para que se demitisse.

Dentro das instituições europeias, o líder dos socialistas europeus, Gianni Pittella, diz que Dijsselbloem não é adequado para ocupar o cargo de presidente do Eurogrupo. Por cá, o próprio primeiro-ministro já se pronunciou, para dizer Dijsselbloem é “sexista, xenófobo e racista” e que, “numa Europa a sério, a esta hora já estava demitido”. Já Ernest Urtasun, eurodeputado espanhol, deixou a questão: “gostaria de saber se esta é a sua primeira declaração enquanto candidato para renovar o seu cargo de presidente do Eurogrupo”.

Afinal, e para lá do sexismo, xenofobia e racismo, quem é este homem que está a revoltar meia Europa? Economista e político, Jeroen René Victor Anton Dijsselbloem estou economia e agricultura nas universidades de Cork, na Irlanda, e de Wageningen, cidade holandesa onde vive atualmente.

Desde a década de 1990, já desempenhou várias funções no governo holandês. Hoje, quase a completar 51 anos, ocupa o cargo de presidente do presidente do Eurogrupo, desde janeiro de 2013. Em paralelo, é ministro das Finanças da Holanda e, desde 2013, é também presidente do Conselho de Governadores do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Desde que assumiu a liderança do grupo de ministros das Finanças da Zona Euro, Dijsselbloem tem sido uma das caras mais visíveis da austeridade na Europa. As últimas críticas que deixou aos “países do sul” foram das mais explosivas, mas estão muito longe de terem sido as únicas. Ainda em janeiro deste ano, já o Governo português anunciava que o défice de 2016 vai ficar abaixo de 3% pela primeira vez na história do país, Dijsselbloem não se deixava encantar e deixava novos alertas a Portugal. “Não há espaço para complacência com Portugal”, “há riscos relevantes no médio prazo” e “a volatilidade nos mercados sublinha a necessidade de Portugal acelerar as reformas e de fortalecer os bancos”, dizia então o presidente do Eurogrupo. Nessa altura, contudo, foi mais brando: “isso está a ser feito neste momento. Penso que estão a tomar as medidas adequadas”.

Portugal tem sido apenas um dos alvos. Visto como o aliado da Alemanha dentro do Eurogrupo, o argumento de Dijsselbloem para países como a Itália ou a Grécia, independentemente da situação económica dos países, tem sido sempre o mesmo: contenção orçamental, contenção orçamental, contenção orçamental.

Uma das posições que mais controvérsia gerou foi a que adotou em relação ao Chipre, quando defendeu um resgate ao país, que acabou mesmo por ir para a frente.

Agora, sobra-lhe um futuro incerto. Não só pelas declarações polémicas que o colocaram em xeque, mas pelo desenrolar das eleições legislativas na Holanda, que deram a vitória ao partido do atual governo, mas com muito menos assentos parlamentares. Dijsselbloem é, neste momento, ministro interino, e é possível que venha a perder este cargo. Assim sendo, terá de ser substituído como presidente do Eurogrupo por outro ministro das Finanças da Zona Euro.

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