Incêndios: PSD quer saber onde estão os donativos privados

  • ECO e Lusa
  • 5 Setembro 2017

A social-democrata Teresa Morais exigiu esta terça-feira que o Governo esclareça que onde estão os donativos privados e qual o seu destino.

A vice-presidente do PSD, Teresa Morais, afirmou esta terça-feira que o Governo revelou uma “total descoordenação e incapacidade de gerir os próprios donativos privados”. Em causa está a notícia do jornal i desta terça-feira onde os presidentes das câmaras de Pedrógão Grande, Figueiró os Vinhos e de Castanheira de Pera mostraram desconfiança com o uso dos donativos para as vítimas dos incêndios.

“Isto revela por parte do Governo uma total descoordenação e incapacidade de gerir os próprios donativos privados que se propôs através da criação de um fundo”, afirmou Teresa Morais, em conferência de imprensa, em declarações transmitidas pela RTP3. A deputada social-democrata afirmou que, da totalidade dos donativos, o Governo tem no fundo apenas 1,9 milhões de euros.

“Diz a resposta que estão transferidos para o fundo 1,9 milhões de euros, de um total de 3,2 milhões, que serão a declaração de intenções de transferência no valor total”, revelou.

É absolutamente imperioso que o Governo esclareça o valor dos restantes donativos que não se encontram no fundo e que deem uma explicação aos portugueses acerca dessas quantias e qual é o destino que lhe está a ser dado“, exigiu o PSD.

Autarca de Castanheira de Pera defende que sejam os municípios a coordenar entrega de apoios

O presidente do município de Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, um dos mais afetados pelos incêndios de junho, disse esta terça-feira à agência Lusa que deviam ser as câmaras a coordenar a entrega de apoios às vítimas. “Na sexta-feira reunimos com os representantes dos diversos fundos de apoio porque sentimos necessidade que as autarquias afetadas coordenem todo este processo, até porque têm os técnicos no terreno”, salientou Fernando Lopes.

Segundo o autarca, havia situações “que não estavam sincronizadas”, com entidades a atribuir apoios para a aquisição de maquinaria que podiam resultar em “duplo financiamento”. Para o presidente do município da Castanheira de Pera, é da mais “elementar justiça e correção que sejam reportados à câmara os apoios atribuídos”.

“Não me parece bem que haja entidades a dar apoios paralelos. O que faz sentido é que seja o município a coordenar, já que coordena outros pagamentos, como os apoios à reconstrução das habitações”, sublinhou Fernando Lopes. De acordo com o autarca, o Fundo Revita, criado para apoiar as populações e a revitalização das áreas afetadas pelos incêndios, está a processar a autorização dos primeiros pagamentos, o que deve acontecer na reunião do próximo dia 12 de setembro.

Nessa reunião “já levaremos propostas de autorização de pagamentos, porque existem obras já concluídas”, adiantou o presidente do município da Castanheira de Pera. Hoje, em declarações à RTP, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande exortou o Ministério Público a abrir uma investigação às contas bancárias que foram abertas para receber donativos que seriam encaminhados para as vítimas dos incêndios de junho.

Valdemar Alves disse ao canal público que “há empresas públicas e particulares que abriram contas em nome dos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande” e não se sabe o destino do dinheiro depositado. O autarca referiu ainda que irá solicitar aos autarcas vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, também fortemente afetados pelos incêndios, para que o acompanhem no pedido de investigação dirigido ao Ministério Público.

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