CGD no défice? Moody’s vê “impacto limitado” no rating de Portugal

  • Margarida Peixoto
  • 23 Setembro 2017

A agência de notação financeira desvaloriza o eventual impacto da CGD no défice. O que importa é a tendência sem efeito de medidas extraordinárias, diz Evan Wohlmann.

Mesmo que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) empurre o défice orçamental de 2017 para mais de 3% do PIB, isso não preocupa a agência de rating Moody’s. O impacto no racional do défice é “limitado,” diz a agência, em declarações ao ECO.

A inclusão potencial dos custos da recapitalização da CGD (que podem atingir no máximo 2,1% do PIB) nos cálculos da Comissão Europeia pode elevar o défice de Portugal para mais de 3% do PIB,” reconhece Evan Wohlmann, vice-presidente e analista sénior da Moody’s e o responsável pelo acompanhamento de Portugal, ao ECO.

O impacto no perfil de crédito de Portugal é limitado. (…) O défice orçamental subjacente, excluindo impactos temporários do setor bancário, tem vindo numa tendência descendente desde 2010.

Evan Wohlmann

Vice-presidente e analista sénior da Moody's

“Contudo, o impacto no perfil de crédito de Portugal é limitado já que a recapitalização foi pré-financiada em 2016 e já impactou a dívida pública no ano passado,” argumenta Evan Wohlmann. “Efetivamente, o défice orçamental subjacente, excluindo impactos temporários do setor bancário, tem vindo numa tendência descendente desde 2010, o que justificou a nossa alteração da perspetiva de rating da dívida portuguesa Ba1 para positiva,” soma.

Estas declarações do responsável da Moody’s foram feitas ao ECO na quinta-feira, ainda antes de terem sido revelados os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) que reforçam a tendência de diminuição do défice. No primeiro semestre de 2017, o défice foi de 1,9%, abaixo do valor registado no mesmo período do ano passado. O INE reviu ainda a taxa de crescimento do segundo trimestre em alta, para 3%.

Este valor não contabiliza ainda o potencial impacto da recapitalização da Caixa, cujas discussões técnicas entre o INE e o Eurostat continuam. Tal como o Eurostat disse à Lusa, a decisão deverá ser revelada “nas próximas semanas.”

Também esta sexta-feira Mário Centeno, ministro das Finanças, desvalorizou o impacto de um eventual registo da operação no défice, frisando que tal não será relevante para a avaliação que a Comissão Europeia faz do desempenho orçamental de Portugal. O mesmo frisou António Costa, primeiro-ministro, que argumentou que “não é uma questão de compreensão”, mas antes uma questão que “faz parte das regras.”

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CGD no défice? Moody’s vê “impacto limitado” no rating de Portugal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião