Prestação da casa sobe pela primeira vez em três anos

Revisão da prestação da casa, em outubro, vai ditar uma subida dos encargos para quem tem crédito associado à Euribor a três meses. Será simbólica, mas é um sinal. Nos restantes créditos há descidas.

Pela primeira vez em mais de três anos, as famílias portuguesas vão ver os encargos com a prestação da casa aumentar. Será uma subida muito ligeira e apenas afetará quem tem crédito à habitação associado à Euribor a três meses. E atingirá também só os empréstimos cujas taxas sejam revistas no próximo mês. Já quem tenha o crédito da casa associado a indexantes com maturidades superiores continua a ser tempo de poupança, com os valores das prestações a sofrerem novos cortes nesta revisão.

Assumindo o cenário de um crédito no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, o valor da prestação mensal fixa-se em outubro nos 306,75 euros, para o caso de quem tem o empréstimo associado à Euribor a três meses. Este valor representa uma subida ligeira face ao valor da última revisão em julho, de 0,01% ou o equivalente a quatro cêntimos. É uma subida ligeira, mas simbólica já que é a primeira vez desde a revisão de março de 2014 que essas famílias vão sentir uma subida dos encargos com o empréstimo da casa.

Euribor a três meses no último ano

Fonte: Bloomberg | Valores em percentagem

No caso dos créditos da casa associados a indexantes superiores que sejam revistos no próximo mês, pelo contrário, vão sentir um novo alívio dos encargos. Assumindo o mesmo cenário, no caso dos contratos que usam a Euribor a seis meses, a nova prestação será de 309,25 euros, 0,5% abaixo do valor fixado na anterior revisão, em abril.

Por sua vez, as famílias com empréstimos associados à Euribor a 12 meses, estas veem o valor da prestação reduzido em 1,6%, para os 313,98 euros, ao longo do próximo ano. À partida estas serão as últimas famílias a serem afetadas por um eventual movimento de inversão dos juros da casa que pode estar a começar a ser desenhado e que para já irá afetar apenas quem tem o contrato do crédito associado à Euribor a três meses.

À beira de uma nova realidade nos juros da casa?

Desde meados de 2014 que as famílias portuguesas não sentiam um agravamento de encargos com as prestações da casa, uma realidade que se instalou no seguimento da política acomodatícia do Banco Central Europeu, após o estalar da crise financeira, que levou a entidade liderada por Mario Draghi a fixar a taxa de juro de referência da Zona Euro no mínimo histórico de 0%, em março de 2016. Em resultado disso assistiu-se a algo que a generalidade não esperava que era ver as Euribor em terreno negativo, onde ainda se encontram.

Hoje a realidade da economia europeia já é bastante diferente, e começa-se a antecipar que o BCE dê o pontapé de subida da taxa de juro diretora, apesar de na última reunião mensal da entidade liderada por Mario Draghi não ter sido sinalizado quando tal poderá acontecer.

Certo é que o mercado começa a ver cada vez mais próxima essa possibilidade, com as Euribor a apresentarem-se praticamente congeladas nos últimos meses. Olhando para o mercado de futuros, também já é possível antecipar que os juros da casa já caíram o que tinham de cair. No caso dos futuros da Euribor a três meses, estes sinalizam que os juros se venham a tornar cada vez menos negativos, com o mercado a apontar para que em setembro de 2019 o indexante assuma valores positivos pela primeira vez desde abril de 2015.

Apesar de não ser possível dar nenhuma certeza, os níveis baixos de juros deverão manter-se ainda por bastante tempo. Só em meados de 2021, o mercado antecipa que o indexante atinja os 0,5%.

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