Juros dos depósitos atingem novo mínimo histórico

A taxa de juro média oferecida nas novas aplicações em depósitos a prazo encolheu, em agosto, para 0,24%. Trata-se do nível mais baixo em pelo menos 17 anos.

De mês para mês compensa cada vez menos aos aforradores terem as poupanças em depósitos a prazo. A remuneração deste tipo de aplicações sofreu mais um corte, em agosto, para um novo mínimo histórico, indica o Banco Central Europeu (BCE).

Segundo dados divulgados pela entidade liderada por Mario Draghi, a taxa de juro média oferecida pelos bancos nacionais nas novas aplicações em depósitos a prazo situou-se nos 0,24%. Trata-se do valor mais baixo do histórico do BCE, cujo início remonta a janeiro de 2000. Este valor fica aquém da remuneração média de 0,27% oferecida em julho, que já era também um mínimo.

Juros dos depósitos em novo mínimo

Fonte: BCE | Valores em %

A redução das taxas de juro dos depósitos a prazo está em sintonia com os mínimos históricos das Euribor, que se mantêm em valores negativos. Mas resulta também do desinteresse dos bancos em captarem recursos. A sua prioridade passa agora por maximizarem os seus proveitos pela via do aumento das comissões.

A diminuição da remuneração oferecida pelos bancos atingiu sobretudo as aplicações com maturidades mais longas, enquanto nos novos depósitos até um ano a taxa média ficou estável nos 0,22%. Já no caso dos depósitos com maturidades acima de um ano, a taxa de juro média recuou dos 0,42% para os 0,32%, de julho para agosto.

A fraca atratividade da remuneração oferecida pelos depósitos desincentiva cada vez mais os portugueses a colocarem as suas poupanças neste tipo de aplicações. Prova disso mesmo são os números relativos ao saldo dos depósitos que, também de acordo com números do BCE, sofreram o maior rombo de sempre em agosto.

Os portugueses preferem colocar as suas poupanças noutro tipo de produtos financeiros também de baixo risco, mas que oferecem remunerações mais atrativas. É o caso dos certificados do Tesouro. Em agosto, a aposta dos portugueses em certificados do Tesouro superou pela primeira vez a fasquia dos 14 mil milhões de euros.

Em termos de retornos, este produto de poupança do Estado bate a grande maioria dos depósitos a prazo. No primeiro ano de aplicação, oferece uma remuneração bruta de 1,25%. Esta remuneração sobe ainda mais para horizontes de investimento mais alargados, para atingir uma taxa média de 2,25% nos cinco anos, sendo que nos últimos dois pode ser acrescida de um prémio adicional em função da evolução do PIB real do país.

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