BCE já tem mais de 30 mil milhões em dívida portuguesa

Banco central voltou a comprar menos de 500 milhões de euros em obrigações nacionais em outubro no âmbito do plano de estímulos que foi prolongado até setembro do próximo ano.

É um número redondo. O Banco Central Europeu (BCE) já detém mais de 30 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro portuguesas, cerca de 12% do total da dívida pública portuguesa, isto depois de o banco central liderado por Mario Draghi ter adquirido em outubro mais 489 milhões de euros em títulos nacionais.

De acordo com os dados publicados esta segunda-feira pelo banco central, foi o terceiro mês seguido em que as compras de títulos do governo nacional ficaram abaixo dos 500 milhões de euros, perante a situação de menor liquidez que a instituição tem enfrentado no mercado de dívida português no âmbito do plano de compra de ativos no setor público lançado em 2015 e que foi prolongado recentemente por mais nove meses até setembro de 2018.

As regras do programa estabelecem que o BCE pode adquirir cerca de 1.200 milhões de euros por mês em obrigações portuguesas, mas o montante de aquisições em Portugal tem estado consecutivamente abaixo dessa meta — a média mensal dos últimos 12 meses situou-se nos 521 milhões de euros.

BCE comprou 489 milhões de euros em dívida portuguesa em outubro

Fonte: BCE

Ainda assim, feitas as contas, a carteira do banco central já tem 30,059 mil milhões de euros em títulos nacionais, reforçando o estatuto de maior credor institucional de Portugal com perto de 12% do total da dívida pública portuguesa. Em setembro, o endividamento público situou-se nos 249,1 mil milhões de euros.

A instituição presidida por Draghi está a comprar dívida pública num montante mensal de 60 mil milhões de euros até final do ano, depois de ter lançado este programa em março de 2015 para relançar a economia da região da moeda única e colocar a inflação dentro do seu objetivo perto dos 2%. Mais de dois anos depois, agora vai reduzir o ritmo de compras a partir de janeiro e até, pelo menos, setembro para apenas 30 mil milhões de euros por mês, na sequência das decisões de política monetária tomadas na última reunião.

Nesse encontro, o Conselho de Governadores decidiu ainda que vai aplicar de novo o dinheiro obtido com o vencimento das obrigações do Tesouro na aquisição de novos títulos. A entidade com sede em Frankfurt informou hoje que prevê reinvestir 2,2 mil milhões de euros em novembro.

(Notícia atualizada às 15h32)

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