Aiaimatilde: A boneca que passou de um projeto universitário a uma loja num centro comercial

Matilde criou a 'aiaimatilde' durante a faculdade mas não tardou até passar do blog para uma pequena loja online com produtos desenhados por si. Hoje tem uma loja no GaiaShopping e outra no Colombo.

Matilde Martins frequentava a faculdade quando teve de criar uma boneca para uma das disciplinas do curso. O desafio seguinte foi um blogue ao qual teve de dar um nome, até que decidiu começar a vender produtos ilustrados e personalizados com a boneca que tinha criado, devido aos elogios que ia recebendo. Hoje, passados 12 anos, tem duas lojas em dois centros comerciais do país e uma equipa de dez pessoas a ajudá-la.

No ano de 2005, quando andava na faculdade em Design de Comunicação, na cadeira de Ilustração foi-nos pedido para respondermos a um projeto que era a criação de uma personagem“, conta Matilde Martins ao ECO. Hoje, passados 12 anos, não poderia imaginar o sucesso que a sua pequena boneca viria a ter. Mas os projetos escolares não ficaram por ali: um ano depois, o desafio foi criar um blogue — “na altura estava muito na moda”, diz — e dar-lhe um nome. Encontrar uma designação que agradasse não foi fácil, mesmo após as várias sugestões dos amigos como “as coisas fofinhas da Matilde”, mas a Matilde nada lhe agradava. “O tempo estava a passar e um amigo meu, a certa altura, disse ‘ai ai Matilde, despacha-te porque o tempo está a passar e temos de apresentar o blogue‘”, conta. E assim ficou, “aiaimatilde”.

“Eu achei piada ao nome e ficou, achando que iria acabar por trocar porque seria só um nome para desenrascar”, diz. No entanto, coincidiu com a altura em que começou a idealizar produtos com a boneca que tinha desenhado, a vendê-los no seu blogue e as pessoas começaram a associar os produtos personalizados ao nome “aiaimatilde”. “Hoje, não via o meu projeto com outro nome”, afirma.

“Muito cor-de-rosa, muitos brilhantes e cheirinho a morango”

Os produtos da “aiaimatilde” são todos personalizados e maioritariamente direcionados para o público feminino. “Muito cor-de-rosa, muitos brilhantes, cheirinho a morango“, brinca. No entanto, os rapazes também têm algumas opções. Há crachás, agendas, bolsas, canetas, almofadas e bijuteria, entre outras.

Uma das duas lojas aiaimatilde, no GaiaShopping.Bruno Garcez

Apesar de ser uma marca com produtos bastante coloridos, não tem um público definido porque tanto agrada a adolescentes como a adultos. “A cor está predominantemente presente na nossa vida quando somos crianças e queremos trazer também um bocadinho dessa cor e dessa felicidade para o mundo dos adultos. Tornar o dia das pessoas mais feliz e colorido é a nossa missão“, diz Matilde.

Inicialmente Matilde não contava com a ajuda de ninguém neste pequeno negócio. “Sempre trabalhei sozinha no sótão de minha casa“, diz. No entanto, a certa altura sentiu necessidade de procurar uma pessoa que a ajudasse “quando tinha 500 emails por ler e muitas pessoas à espera de resposta”. Hoje conta com uma equipa de dez pessoas. Os produtos eram e continuam a ser vendidos apenas através da loja online, de forma a conseguir ter um registo de tudo. Para dificultar o processo de tratar de tudo sozinha, após sair da faculdade trabalhou durante três anos num escritório na sua área, “por isso ia gerindo as encomendas da marca com esse trabalho“.

Sempre trabalhei sozinha no sótão de minha casa. Senti necessidade [de contratar alguém] quando tinha 500 emails por ler e muitas pessoas à espera de resposta.

Matilde Martins

aiaimatilde

Um passo consciente que se transformou em espaços em centros comerciais

Os mais de cem mil likes no Facebook e mais de 25 mil no Instagram que tem atualmente mostram todo o processo de evolução que a “aiaimatilde” foi tendo. Há um ano, Matilde decidiu inscrever-se no concurso Rising Store, da Sonae Sierra, que avalia as melhores ideias de negócio e oferece a oportunidade de ter uma loja num centro comercial à escolha, com seis meses de renda gratuita. “Eu sempre tive muito receio, sempre gostei de dar passos conscientes. Tanto que deixei para o último dia e enviei a minha candidatura por volta das 23h50, quando terminava às 00h”, relembra Matilde.

Loja aiaimatilde, GaiaShopping

Na altura, sendo apenas duas pessoas a trabalhar, a jovem empreendedora pensava em tudo o que implicava ter uma loja num centro comercial. O tempo demorado dos fornecedores para entregar os produtos era mais uma dessas preocupações, algo que hoje não é problema pois tem a sua pequena fábrica onde a equipa fabrica os produtos. “Sempre tive receio disso e de não ter dinheiro suficiente porque o nosso crescimento sempre foi sustentado pelas vendas. Aquilo que eu ia ganhando, aplicava em novos produtos. Era essa a forma de crescimento que eu via como mais segura”, diz Matilde. Mas as coisas “não podiam ter corrido melhor” e a “aiaimatilde” foi a vencedora do concurso, optando por se fixar no GaiaShopping, em Vila Nova de Gaia.

Sempre gostei de dar passos conscientes. Sempre tive receio disso e de não ter dinheiro suficiente porque o nosso crescimento sempre foi sustentado pelas vendas.

Matilde Martins

aiaimatilde

Passados os seis meses de renda gratuita, a ilustradora decidiu manter a loja no centro comercial e hoje, para além de estar presente no Norte, decidiu também arriscar na capital, onde tem um quiosque no Centro Comercial Colombo. Garante que, até agora, não houve nenhum momento em que se tivesse arrependido. “Claro que há sempre meses do ano que são menos fáceis por causa da afluência das pessoas aos shoppings, mas todos os outros correm extremamente bem”, afirma.

“Um ponto físico cria uma grande confiança com os clientes”

Matilde vê ambas as experiências como bastante enriquecedoras e ressalva o feedback que ia recebendo dos clientes: “Todos gostavam porque achavam curiosa a marca. Algumas pessoas ainda não conheciam mas a maioria delas já”, conta. Um espaço físico dá a oportunidade, segundo a jovem, de criar uma maior confiança com os clientes. Para Matilde, “em Portugal, as pessoas ainda sentem muito receio de comprar online mas o facto de haver um ponto físico cria uma grande confiança com elas” porque lhes permite ver os produtos pessoalmente. Para além disso, foi um passo importante para “as avós ou aquelas pessoas que não estão habituadas às novas tecnologias”, explica.

Quiosque aiaimatilde, Centro Comercial Colombo

Apesar de ter chegado ao público de Lisboa em junho deste ano, Matilde conta que o projeto “tem uma data de validade” e terminará em janeiro. Funcionou como uma espécie de teste e serviu para perceber a aceitação das pessoas. “Achamos que a aiaimatilde tem um conceito e uma missão muito especial e que, se calhar, através de um quiosque não conseguimos passar essa mensagem”, explica a jovem empreendedora. No entanto, confessa que tem planos para voltar a Lisboa mas, certamente, em formato de loja, “para levar um mundo ainda mais fofinho até aos clientes”.

“A maior parte da pessoas vem das redes sociais”

Apesar de reconhecer a importância que uma loja e um quiosque têm para as vendas da “aiaimatilde”, a empreendedora admite que as redes sociais são as principais pontes de ligação entre as pessoas e a marca. Matilde vende os produtos unicamente através da loja online, mas o Facebook e o Instagram funcionam como “montras”. “A maior parte das pessoas vem das redes sociais. Desde o início, a nossa marca sempre cresceu pelo passa-a-palavra. As pessoas têm sempre uma boa experiência e depois falam às amigas, e as amigas às amigas“, conta.

Para a fundadora da “aiaimatilde”, o Instagram é a rede social com maior peso no negócio: “Talvez 60%”, assegura. “Cada vez mais o Instagram tem uma melhor adesão do que o Facebook. Apenas porque as pessoas veem apenas as imagens e não são tão bombardeadas com publicidade nem estão restritas a certas publicações como no Facebook“.

A maior parte das pessoas vem das redes sociais. Desde o início, a nossa marca sempre cresceu pelo passa-a-palavra.

Matilde Martins

aiaimatilde

É nas redes sociais que os crachás são vistos pelas pessoas e, claro, vendidos. São o produto mais vendido, “talvez por ser o mais acessível”, diz Matilde. Mas, “foi a partir das agendas que começou o passa-a-palavra”, acrescenta. A empreendedora explica que, no início das vendas, não havia muitas agendas ilustradas como há hoje, e isso fez a marca ganhar terreno no mercado. Hoje, os envios são feitos para mais de 20 países, “essencialmente para portugueses que estão emigrados porque os nossos meios de comunicação de momento estão só em português. Para além disso, enviamos também para Espanha e para o Brasil“, conta.

Para o futuro, fica a promessa de “voltar para Lisboa logo que possível” mas, desta vez, em loja. Apesar das várias propostas que tem tido para abertura de loja, Matilde ainda não tem planos definidos. Para além disso, pretende adaptar os meios de comunicação da marca para outras línguas, de forma a chegar a um maior número de pessoas. Quanto aos portugueses, Matilde tem uma mensagem: “Nunca digo nunca às coisas que me propõem e acho sempre que devemos arriscar de forma consciente, mas sou apologista que devemos arriscar pelos nossos sonhos“.

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