Draghi: PIB vai desacelerar e inflação ficará aquém dos 2%

O presidente do Banco Central Europeu apresentou as projeções até 2020: a economia vai crescer mais do que o esperado anteriormente, mas continuará a desacelerar. Inflação continuará abaixo dos 2%.

O Banco Central Europeu estima que a economia cresça 2,4% em 2017, mas abrande a sua recuperação até aos 1,7% em 2020. Já a inflação deverá ficar nos 1,5% este ano, acelerando até aos 1,7% em 2020, ainda que abaixo da meta estabelecida pelo banco central. As projeções foram atualizadas esta quinta-feira por Mario Draghi, presidente do BCE, após a reunião dos governadores onde decidiram manter a taxa de juro de referência em 0%.

Na reunião anterior, em outubro, o BCE tinha decidido prolongar os estímulos monetários até setembro de 2018, mas aplicando uma redução do ritmo de compras. Porém, esta decisão pode ser revertida caso as projeções não se concretizem. Ou seja, se a inflação desiludir. Draghi indicou que a taxa de juro deverá ficar inalterada bem depois das compras acabarem.

Fonte: Banco Central Europeu

Esta atualização das previsões mostra números mais otimistas para a economia da Zona Euro, apesar da desaceleração da recuperação económica. “Os últimos dados e os resultados dos inquéritos mostram um crescimento sólido e abrangente”, afirmou Mario Draghi, assinalando que o “consumo privado está a ser apoiado pelas atuais evoluções no emprego, que também estão a beneficiar das reformas do mercado de trabalho passadas, e pela subida da riqueza familiar”.

Ainda assim, Draghi voltou a dizer, segundo a Bloomberg, que a economia europeia não está forte o suficiente para aguentar o impacto da retirada imediata dos estímulos monetários. A Zona Euro continua a precisar de um “amplo grau” de estímulos, acrescentou. Apesar disso, Draghi sinalizou a possibilidade de haver surpresas positivas a curto prazo.

De acordo com o presidente do BCE, a discussão entre os governadores focou-se na inflação: existe uma “maior confiança de que a inflação está a convergir para um caminho sustentado a médio prazo”. Contudo, Draghi admitiu que as pressões nos preços continuam “silenciadas” dado que não existem “sinais convincentes” de que há uma tendência ascendente “sustentada”.

A decisão do Banco Central Europeu de manter os juros segue-se à decisão da Reserva Federal de aumentar pela terceira vez a taxa de juro diretora — uma subida de 25 pontos base que levou o intervalo para entre 1,25% a 1,5%. A Fed sinalizou ainda mais três subidas da taxa de juro para o próximo ano.

Para 2018, o BCE reduzirá o ritmo de compras de 60 mil milhões de euros para 30 mil milhões de euros mensais a começar já em janeiro, o que se prolongará pelo menos até setembro.

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