Professores: Centeno quer soluções “sustentáveis e que não voltem a fazer parar o cronómetro”

  • Margarida Peixoto
  • 20 Dezembro 2017

O ministro das Finanças, Mário Centeno, reforçou o aviso aos professores: as carreiras têm de ser "sustentáveis financeiramente."

Com as negociações entre os sindicatos dos professores e o Governo em aberto, Mário Centeno voltou a marcar a posição do Executivo: o ministro das Finanças frisou que estas negociações são um processo novo, que não estava previsto no Programa do Governo, e sublinhou que as soluções encontradas têm de ser “sustentáveis financeiramente”.

Mário Centeno está a ser ouvido esta quarta-feira pelos deputados da Comissão de Trabalho e Segurança Social da Assembleia da República, ao abrigo do regimento. O ministro reservou o arranque da sua intervenção inicial para reforçar o entendimento do Governo sobre as exigências dos professores, quanto ao descongelamento das carreiras.

“Este é um debate novo: não estava previsto no Programa do Governo e requer retroatividade nas regras aprovadas nos Orçamentos do Estado” anteriores, para além de ter uma elevada “incidência orçamental”, defendeu Mário Centeno. Por isso, o Governo está de olhos postos no impacto das medidas. “Procuraremos soluções sustentáveis e que não voltem a fazer parar o cronómetro. Temos que tornar as carreiras da Administração Pública sustentáveis financeiramente,” argumentou Mário Centeno.

O ministro aproveitou para repetir alguns dos dados da apresentação em PowerPoint que distribuiu aos sindicatos e que foi esta terça-feira enviado às redações: o modelo de descongelamento que está previsto arrancar em 2018 tem custos globais para toda a Administração Pública de 651 milhões e mais de 50% dos trabalhadores do setor público progridem no próximo ano.

Centeno detalhou que o custo do descongelamento das carreiras no próximo ano será de 180 milhões de euros, subindo para 217 milhões e 253 milhões em 2019 e 2020.

Na resposta ao PSD, o ministro voltou a defender: “Não há nenhum corte, nem há nenhuma censura. Todos vão progredir de acordo com os direitos acumulados ao longo do período de sete anos, de acordo com a forma como as carreiras foram congeladas. Todos os trabalhadores da Administração Pública conhecem perfeitamente as regras de progressão que se lhes aplicam.”

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