Orlando Figueira: “Estou preso há dois anos injustamente”

  • Ana Batalha Oliveira
  • 22 Janeiro 2018

No primeiro dia do julgamento da operação Fizz, a palavra é também dada aos arguidos Orlando Figueira, Paulo Blanco e Armindo Pires.

Ao apresentar-se ao juiz, Orlando Figueira responde que a sua profissão é “preso”, dado que tem inscrição suspensa na Ordem dos Advogados e a licença sem vencimento como Procurador. “Estou preso há dois anos injustamente”, alega. Depois, defende-se: “Eu não conheço Manuel Vicente nem direta nem indiretamente“.

Orlando Figueira é perentório na sua defesa: Manuel Vicente “é uma pessoa totalmente alheia para mim”, diz, garantindo não conhecer o ex-vice-presidente de Angola “nem direta nem indiretamente”. Sobre a relação com Paulo Blanco, assegura que “não era relação de amizade, era uma relação profissional”. “Nunca lhe dei informações”, remata, considerando esta acusação “falsa, para não dizer injuriosa”. “Armindo Pires não conheço de lado nenhum”, informa também. “Não era só os processos de Angola. Eu despachava todos os meus processos“, defende-se.

Relativamente ao episódio que marca o início da acusação, o convite dirigido a Orlando Figueira para que este participasse na semana da legalidade de Angola, Figueira garante que lhe chegou através do então Procurador-geral da República de Angola, em sintonia com a versão já apresentada por Blanco. “Paulo Blanco não tinha poder para me convidar”, afirma.

A defesa prossegue com referências à estrutura da Portmill, inquérito que visava Manuel Vicente e que Orlando Figueira arquivou. “A sociedade Portmill ninguém sabia o que era. Se as ações são ao portador não se consegue saber o proprietário delas”, apresenta Orlando Figueiredo como argumento, distanciando-se mais uma vez de Manuel Vicente. Posteriormente, este inquérito foi aberto e novamente arquivado por outro procurador, salienta ainda Figueira. Este último ponto já tinha sido sublinhado anteriormente pela defesa de Armindo Pires.

Orlando Figueira refuta a maioria das acusações com as frases “não faço ideia” ou “é mentira”, e insiste na subjetividade das mesmas. Realça ainda a aprovação com a qual contou da parte da procuradora Teresa Sanchez, que também assinou os despachos chamados à acusação. A procuradora “sabia o que estava a assinar”, acredita Figueira, sublinhando os dezasseis anos de experiência da colega em magistratura. “Ela foi inspecionada pelo procurador-geral adjunto em setembro de 2013, e o senhor inspetor deu lhe muito bom, e viu todos os processos que ela tinha assinado comigo”, acrescenta ainda.

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