Juncker contra ideia “estúpida” de enfraquecer política de coesão e PAC

  • Lusa
  • 6 Fevereiro 2018

Presidente da Comissão Europeia não defende aumentos sem limites no orçamento da União e reconhecendo que é necessário proceder a poupanças inteligentes depois da saída do Reino Unido.

A Comissão Europeia opõe-se à vontade “estúpida” de alguns de “atentar” contra as políticas de coesão e Política Agrícola Comum (PAC) no quadro das negociações sobre o orçamento plurianual da União Europeia, disse esta terça-feira Jean-Claude Juncker.

Num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre o futuro da Europa, o presidente do executivo comunitário abordou a questão do quadro financeiro da União pós-2020 para defender que a Europa deve dotar-se de um orçamento à medida das “ambições e objetivos que proclama”, rejeitando cortes drásticos em áreas fundamentais.

“Será preciso reduzir os números da política de coesão e da PAC, mas sou contra esta vontade estúpida, passageira e irrefletida que consiste em organizar um atentado contra as políticas de coesão e agrícola comum. Isso não vai funcionar e a Comissão não irá seguir essa via”, asseverou.

Será preciso reduzir os números da política de coesão e da PAC, mas sou contra esta vontade estúpida, passageira e irrefletida que consiste em organizar um atentado contra as políticas de coesão e agrícola comum. Isso não vai funcionar e a Comissão não irá seguir essa via.

Jean-Claude Juncker

Presidente da Comissão Europeia

Apontando que não defende aumentos sem limites no orçamento da União e reconhecendo que é necessário proceder a poupanças inteligentes — até porque a União perderá um dos seus maiores contribuintes, o Reino Unido –, Juncker defendeu, todavia, que é necessário que, “ao longo dos próximos 11 meses, se chegue a acordo sobre os objetivos da UE” antes de se abordar os números.

Para o presidente da Comissão Europeia, é preciso que se discuta “primeiro o conteúdo e depois os números, não o inverso”. “Uns dizem que não querem pagar mais, outros dizem que não querem receber menos. É uma equação que não funcionará. Será necessário fazer poupanças em várias áreas, mas poupanças que façam sentido”, disse, reforçando que, nos domínicos da política de coesão e da PAC, “onde puderem ser feitas poupanças inteligentes, a Comissão apresentará propostas nesse sentido”.

Juncker intervinha num debate sobre o futuro da Europa com a participação do primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic, o segundo de um ciclo de debates no Parlamento Europeu com chefes de Estado e de Governo da UE, iniciado em janeiro com o chefe de Governo irlandês, Leo Varadkar, e que prosseguirá em 14 de março com a presença em Estrasburgo do primeiro-ministro português, António Costa.

Na semana passada, por ocasião de uma deslocação a Bruxelas, Costa voltou a fazer a defesa da política de coesão, defendendo que esta “é a política europeia que mais tem contribuído para a unidade na diversidade europeia” e “grande parte do sucesso da União Europeia deve-se à sua política de coesão”.

Considerando-a “uma marca identitária da União Europeia, cujos objetivos permanecem hoje tão centrais como quando foi criada”, António Costa defendeu que “a coesão não pode nem deve ser a variável de ajustamento do próximo Quadro Financeiro Plurianual”, mas sim “dispor de uma maior flexibilidade na sua definição e implementação, combinando a sua abordagem territorializada com um maior enfoque nos seus principais beneficiários: as pessoas”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Juncker contra ideia “estúpida” de enfraquecer política de coesão e PAC

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião