Brisa admite mudar sistema de portagens, mas pede “equilíbrio” no contrato de concessão

  • Ana Batalha Oliveira
  • 10 Fevereiro 2018

A polémica começou esta semana por causa da PSA de Mangualde. A Brisa diz ao ECO que está aberta à revisão do contrato com o Governo, desde que se mantenha o "equilíbrio económico e financeiro".

O grupo PSA lançou a discussão esta semana: defende a necessidade de alterar os critérios que determinam quais os veículos que pertencem à classe 1, caso contrário, a fábrica em Mangualde está em risco de fechar as portas. A Brisa assume que as revisões ao contrato de concessão são “normais” e pretende apenas “assegurar o equilíbrio económico e financeiro” do mesmo, afirma fonte oficial ao ECO.

A Brisa tem por princípio não alimentar especulações, de forma a preservar as condições para um normal processo negocial”, diz a concessionária, sem confirmar ou desmentir o contacto da parte do Governo. Independentemente da posição que o Executivo liderado por António Costa decida assumir, a Brisa reitera um único interesse: “assegurar o equilíbrio do modelo económico e financeiro do contrato”.

A empresa relembra, inclusivamente, que o Governo já tomou a iniciativa de renegociar o acordo de concessão por duas vezes no passado recente, uma em 2004 e outra em 2008, tendo encontrado a devida disponibilidade por parte da Brisa. “As revisões do contrato de concessão são normais“, explica a concessionária.

O Executivo “vai introduzir a questão na renegociação que está a fazer com as várias concessionárias nomeadamente com a Brisa”, disse ao ECO fonte oficial do gabinete do ministro do Planeamento, Pedro Marques.

Na passada quinta-feira, o grupo PSA acusou as concessionárias de autoestradas de terem uma postura “oportunista” em relação a estes contratos, negligenciando o “interesse económico do próprio país” ao procurar “tirar benefícios de qualquer alteração”.

Alfredo Amaral, diretor geral da PSA Portugal, diz que as condicionantes impostas pelo sistema de portagens, que limita a altura dos veículos classe 1 aos 1,10 metros, podem interferir com a produção de um novo modelo, o K9, que tem início agendado para 2018.

A altura deste modelo ultrapassa a fasquia de 1,10 metros, incluindo-se no grupo de veículos de classe 2. Consequências negativas ao nível das vendas terão um “impacto direto no emprego” ou mesmo pôr em causa a presença da PSA em Mangualde “a médio prazo”, alertou o diretor do grupo. A solução está agora do lado do Governo e das concessionárias, mas é imperativo obter uma resposta “antes do final de julho”, avançou ainda Alfredo Amaral.

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