Filhos de estrangeiros têm mais risco de pobreza em Portugal

  • Marta Santos Silva
  • 19 Março 2018

A diferença entre o risco de pobreza das crianças filhas de portugueses e das filhas de pelo menos um estrangeiro é grande em Portugal. O risco para os filhos de estrangeiros é o oitavo maior da UE.

As crianças com pelo menos um progenitor de nacionalidade estrangeira têm maior risco de pobreza em quase todos os Estados-membros da União Europeia. Em Portugal, o risco de pobreza para estas crianças é o oitavo mais alto da UE, e a diferença entre o risco de pobreza dessas crianças e das crianças com pais portugueses é bastante grande.

Os dados de 2016 foram divulgados esta segunda-feira pelo instituto europeu de estatística, o Eurostat, que mostra que, em média, o risco de pobreza para as crianças com pelo menos um progenitor estrangeiro era 35,8%, mais do que o dobro do risco para as crianças cujos pais são ambos cidadãos dos países de residência.

O risco de pobreza para as crianças filhas de pais estrangeiros é maior do que para as crianças de pais com nacionalidade do país de residência em quase todos os países da União Europeia, exceto na Letónia, na Polónia, na Bulgária e na Hungria, onde a situação se inverte.

O risco mais alto de pobreza para crianças com pelo menos um progenitor com uma cidadania estrangeira é na Suécia, onde o risco é de 58,1%, comparado com um dos riscos de pobreza mais baixos para os filhos de cidadãos do país. Segue-se a Espanha e a Lituânia. A separação entre o risco para estes dois grupos de crianças é maior na Suécia, onde estão seis vezes em maior risco, e depois na Eslovénia, onde é uma diferença de 4,7 vezes, e na Dinamarca, com uma diferença de 3,9 vezes.

Em Portugal, o risco de pobreza para as crianças nascidas de dois pais com nacionalidade portuguesa também é particularmente alto. A pobreza infantil já foi considerada por sociólogos um dos principais problemas sociais que o país precisa de resolver, com o risco de pobreza para as crianças (de pais portugueses) acima da média europeia, e em sexto lugar na lista dos países com o risco mais alto.

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