Privados atiram dívida da economia para mínimos da pré-troika

Desalavancagem nas famílias e empresas privadas aliviam endividamento da economia portuguesa em março. Assumindo o seu peso no PIB, a dívida recua para o valor mais baixo desde 2010.

O endividamento da economia portuguesa aliviou mais de mil milhões de euros em março, depois de ter atingido máximos de meio ano no mês anterior. Para esta desalavancagem contribuiu sobretudo o setor privado, incluindo famílias e empresas privadas, dado que o setor público viu a sua dívida crescer ligeiramente naquele mês. Em função do PIB, a dívida da economia recua para o valor mais baixo desde o último trimestre de 2010, antes de Portugal pedir ajuda.

“Em março de 2018, o endividamento do setor não financeiro [que compreende famílias, empresas privadas e setor público não financeiro] situava-se em 719,7 mil milhões de euros“, revela o Banco de Portugal na nota de informação estatística divulgada esta terça-feira. “Relativamente a fevereiro de 2018, o endividamento do setor não financeiro diminuiu 1,2 mil milhões de euros, em resultado da redução de 1,3 mil milhões de euros no endividamento do setor privado”, explica o banco central.

Dívida da economia contrai 1,2 mil milhões em março

Fonte: Banco de Portugal

A desalavancagem no privado mais do que compensou o aumento de 100 milhões de euros no setor público não financeiro, que fechou o primeiro trimestre do ano com um endividamento de 318 mil milhões de euros.

Para esta evolução contribuiu o “acréscimo do endividamento externo e junto das próprias administrações públicas”, contextualiza a instituição.

No que diz respeito à redução do endividamento do setor privado, que em março ascendia a mais de 400 mil milhões de euros, esta “materializou-se numa redução do financiamento externo às empresas“, pormenoriza o Banco de Portugal.

Contas feitas, observando o peso do endividamento da economia em função da riqueza que o país produz anualmente, a dívida do setor não financeiro correspondia a 369,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de março. Trata-se do valor mais baixo desde o quarto trimestre de 2010, ainda antes do pedido de resgate internacional acionado em abril de 2011, e quando o endividamento da economia representava 365,61% do PIB.

(Notícia atualizada às 11h37)

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