Centeno, em voz off e formato de subtexto, servido no congresso do PS

Ainda não é certo que apareça no congresso do PS, mas o ministro das Finanças é já o ausente mais presente. Costa já usou o trunfo que Centeno lhe deu e o ministro não sai do ecrã montado na Batalha.

O congresso é socialista, mas quem brilha não é um militante. Mário Centeno, que deu ao PS um programa económico para governar, é hoje um ativo que o partido exibe. Nos ecrãs da Batalha, o ministro das Finanças apareceu várias vezes a falar do “défice mais baixo da democracia e deu a Costa o trunfo de que precisa para entrar no eleitorado à direita nas legislativas de 2019. Até de Alegre chegaram elogios com a ajuda dos Lusíadas de Camões.

O palco do 22.º Congresso socialista está pintado a vermelho e branco. Durante as intervenções, o palco mostra dois grandes ecrãs com a imagem de quem está a falar aos militantes. Os discursos seguem-se, mas nas pausas as luzes baixam e são recuperados, em vídeo, momentos importantes dos dois anos em meio deste Governo.

O rosto e a voz do ministro das Finanças que surgem no ecrã do Congresso levam-nos para a Assembleia da República, quando Mário Centeno anunciou que “o défice em 2016 será o mais baixo da historia da nossa democracia”. “Estamos perante uma consolidação sólida e são estas contas sólidas que permitem reforçar a confiança em Portugal”, dizia aos deputados.

A história repetiu-se em 2017, como sabemos. E Costa agarra-se a todos estes episódios. Na tela que é mostrada aos socialistas aparece o primeiro-ministro a anunciar no Parlamento o défice mais baixo da democracia, em São Bento a recolher os louros da saída do Procedimento por Défices Excessivos e outra vez na Assembleia a explicar aos parceiros de esquerda que apesar da redução do défice o investimento em saúde aumentou. É certo que desta vez é o rosto de Costa que aparece, mas é Centeno quem lhe dá palco.

O líder do PS não descurou o subtexto que serviu aos militantes, mas não quis que a mensagem passasse despercebida. “Acabámos com o mito de que, em Portugal, é a direita que sabe governar a economia e as finanças públicas”, disse o líder socialista no discurso com que abriu o congresso. Uma ideia recuperada no segundo dia do congresso por Manuel Alegre. “Nós sabemos fazer contas e fazemos melhor do que a direita.” O histórico socialista agarrou-se ainda à obra de Luís de Camões para elogiar Centeno. “A inveja é a última palavra dos Lusíadas, mas, no que toca a Mário Centeno, a palavra inveja tornou-se a primeira palavra dos ressentidos.”

Esta foi aliás uma mensagem partilhada por vários militantes que subiram ao palco. O PS está a conseguir respeitar os seus valores, dando resposta aos problemas das pessoas sem pôr em risco as contas públicas.

E para a reforçar, o número dois das Finanças, Ricardo Mourinho Félix esteve na Batalha e falou do trabalho feito e de como não se pode deitar fora o que já foi conseguido. “O nosso trabalho é reconhecido pelos investidores e pelos parceiros europeus, que escolheram o ministro das Finanças para construir consensos na Europa”, disse o secretário de Estado Adjunto e das Finanças que no Governo faz a ponte com as agências de rating. “Fazermos melhor com os recursos que temos para que os recursos que temos cheguem para mais.”

Resta saber se no encerramento, marcado para domingo, Centeno aparece na Batalha para, em on, deixar uma mensagem aos socialistas.

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