Descongelar carreiras dos professores? “Há muito para descongelar”, diz Costa

O chefe do Governo voltou esta quarta-feira a insistir que mais de 45 mil professores vão ter a carreira descongelada este ano e existem outras apostas que necessitam de recursos financeiros.

O primeiro-ministro defendeu esta quarta-feira que existem outras carreiras na Função Pública e investimentos que estiveram parados durante anos e que precisam de ser descongelados, afastando assim mais uma vez a possibilidade de contar o tempo de serviço passado dos professores para efeitos de progressão na carreira.

“O país não tem condições ilimitadas para pode fazer tudo”, disse António Costa esta quarta-feira aos jornalistas, um dia depois de no Parlamento ter reiterado a posição do ministro da Educação, que interrompeu as negociações com os professores dizendo aos sindicatos que ou aceitam a proposta do Governo ou então não terão qualquer tempo contado.

“Há muitas coisas para descongelar. Há todas as carreiras para descongelar. Há obras que estiveram paradas. Há investimentos no Serviço Nacional de Saúde para descongelar”, concretizou.

O chefe do Executivo voltou a defender que “é falsa” a ideia de que não há progressão na carreira dos professores e repetiu que mais de 45 mil professores vão progredir já este ano.

Na segunda-feira, Tiago Brandão Rodrigues informou os sindicatos dos professores que ou estes aceitam a proposta do Executivo de contar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo em que as carreiras estiveram congeladas ou então não seria contabilizado qualquer tempo.

Esta terça-feira, o primeiro-ministro reiterou a posição do seu ministro e, no Parlamento, explicou que o Governo não faz acordos unilaterais. Disse ainda que durante estes meses de negociação, os sindicatos dos professores não fizeram qualquer esforço de aproximação ao Governo e que isso não é uma negociação.

A proposta do Governo custaria, segundo Costa, mais 170 milhões de euros face aos custos já assumidos com as progressões dos professores que já estão em fase de descongelamento. De acordo com os cálculos do Governo, a contagem do tempo de serviço que esteve congelado entre 2011 e 2017 implicaria uma despesa adicional de 600 milhões de euros. Os sindicatos queriam que fossem contados nove anos, quatro meses e dois dias.

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