Teodora Cardoso diz que Portugal tem de “evitar orçamentos eleitoralistas”

A presidente do CFP alertou que o país deve evitar medidas eleitoralistas no Orçamento e lembrou que Portugal continua "sob observação estreita dos mercados e das agências de rating".

Sobre os riscos de eleitoralismo para o próximo Orçamento do Estado, a presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) avisou que Portugal tem de “evitar orçamentos eleitoralistas”, tendo em conta que o país continua “sob observação estreita” e a dívida continua elevada.

Durante esta manhã, na conferência de imprensa de apresentação do relatório sobre a “Situação e Condicionantes das Finanças Públicas, no período de 2018 a 2022”, Teodora Cardoso deixou alguns avisos, a menos de um mês da apresentação do Orçamento de Estado para 2019.

“Temos que ter muito cuidado com a dívida e os custos da dívida. Continuamos sob observação estreita dos mercados e das agências de rating. Se fossemos para medidas eleitoralistas [no próximo Orçamento do Estado], aí sim, teria impacto nos juros, através do prémio de risco”, afirmou a presidente do CFP, salientando que nesta área a atenção que é dada a Portugal é “enorme”.

Teodora Cardoso não quis, no entanto, adiantar muitos sobre os receios de eleitoralismo no próximo orçamento, dizendo que, nesse assunto, “o conselho não tem opinião”.

Quanto à dívida, a presidente da instituição relembrou que o problema ainda não está resolvido. “Não podemos pensar que o problema está resolvido porque não está. Temos uma dívida que continua a ser muito alta e temos uma história que não é exatamente muito saudável”, referiu.

Marcelo Rebelo de Sousa já também tinha alertado para as medidas eleitoralistas, logo no final do ano passado, quando promulgou o Orçamento do Estado para 2018, dizendo, na altura, que “a existência de duas eleições em 2019 não pode, nem deve, significar cedência a eleitoralismos, que, além do mais, acabem por alimentar surtos sociais inorgânicos, depois difíceis de enquadrar e satisfazer”.

Mais recentemente, na reta final da legislatura, o Presidente da República voltou a apelar a que não haja tentações de fazer política envolvendo o Orçamento do Estado para 2019.

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