Itália cede no Orçamento. Bolsa de Milão soma 1%, juros aliviam e euro recupera

Os mercados recebem com agrado as notícias que dão conta da revisão em baixa das estimativas para o défice de 2020 e 2021 pelo Governo de Itália que dá assim sinais de ceder à pressão da Europa.

Ainda não é uma certeza, mas tudo aponta nesse sentido. Após ter dito que não recuava “um milímetro” face às exigências de Bruxelas no que respeita ao Orçamento, o Governo de Itália parece ter dado o dito por não dito e decidido reduzir a meta para o défice de 2020 e 2021, segundo avança o Corriere della Sera, nesta quarta-feira. Os investidores estão a receber com agrado a notícia, levando a bolsa de Milão a recuperar em torno de 1%, ao mesmo tempo que os juros da dívida soberana aliviam e o euro recupera de mínimos de seis semanas.

De acordo com o jornal italiano, que cita conclusões de uma reunião do Conselho de Ministros, o executivo liderado por Giuseppe Conte pretende manter o plano de um défice orçamental de 2,4%, para o próximo ano. Contudo, terá revisto em baixa a sua meta para os dois anos seguintes, para 2,2% e 2%, respetivamente. O objetivo inicial era registar um défice de 2,4% em qualquer um dos três anos.

Bolsa de Milão recupera

Fonte: Reuters

A comprovar-se essa iniciativa, trata-se de um sinal positivo na relação com a Europa, isto depois de o vice-primeiro-ministro ter dito que não haveriam cedências. “Alguém está à espera que o Governo italiano recue em relação a esta lei orçamental. Recuar desses 2,4% significaria dizer aos italianos: não se podem reformar, não vamos subir as pensões, não vamos compensar aqueles que foram enganados pelos bancos e não estamos a estabelecer um rendimento básico”, disse o vice-primeiro-ministro italiano Luigi Di Maio, nesta terça-feira, acrescentando “não, nós não vamos recuar nem um milímetro”.

Face a este expectável recuo, a bolsa de Milão dá sinais de recuperação, seguindo a valorizar 1%, suportada pelos ganhos dos títulos da banca, o setor que mais tem sido abalado por toda a instabilidade política e orçamental que se assiste em Itália. O setor bancário italiano segue a valorizar 3% nesta manhã, com o Unicredit e o Intesa Sanpaolo entre os títulos mais ganhadores do setor.

“As notícias sobre as estimativas para o défice é a principal razão para os mercados fazerem o que estão a fazer hoje”, disse Mathias van der Jeugt, especialista de juros do KBC.

O mercado da dívida respira assim também de alívio, com as taxas de juro da dívida soberana italiana, mas também do resto da Europa, incluindo Portugal, a recuarem. No caso da taxa de juro a dez anos de Itália, regista-se o primeiro alívio após quatro sessões de subidas. A yield nesta maturidade recua dez pontos base, para 3,33%, aliviando dos máximos de quatro anos e meio da última sessão. Já os juros portugueses na mesma maturidade recuam um ponto base, para os 1,886%.

Também o euro está a ser animado pelos últimos desenvolvimentos em Itália. A moeda única da Zona Euro segue a valorizar 0,17%, para os 1,1566 dólares, recuperando assim de mínimos de seis semanas.

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