Acordo para o Brexit ganha apoio de peso. Governador do Banco de Inglaterra está do lado de Theresa May

Mark Carney mostrou-se satisfeito com os termos acordados para a concretização do Brexit, dizendo que estes irão ajudar a suavizar a saída do Reino Unido da União Europeia.

O governador do Banco de Inglaterra, Mark Carney, mostrou o seu apoio à saída do Reino Unido da União Europeia, um acordo conseguido entre o Governo de Theresa May e a União Europeia. De acordo com Carney, os termos do acordo para o Brexit irão ajudar a suavizar esta saída.

“Temos enfatizado desde o início a importância de ter alguma transição entre os arranjos atuais e os arranjos finais”, disse Carney, citado pela Reuters. “Portanto, saudamos os acordos de transição no acordo de retirada e tomamos nota da possibilidade de estender esse período de transição“, acrescentou.

May chegou a um acordo de saída com Bruxelas na semana passada, mas enfrenta forte resistência no seu Partido Conservador, o que significa que ainda pode falhar no Parlamento. O valor da libra esterlina caiu drasticamente devido às preocupações de que o Reino Unido poderia deixar a União Europeia no mês de março sem qualquer acordo.

Carney, falando a deputados, também disse que uma análise planeada pelo banco central sobre as implicações económicas do Brexit não incluiria uma avaliação do efeito da decisão do Reino Unido de permanecer no bloco. “Não pretendemos fornecer análises adicionais sobre o terceiro cenário, que não é nenhum Brexit”, explicou Carney.

O governador do Banco de Inglaterra e outros responsáveis reforçaram, por sua vez, a advertência aos investidores para não presumirem que o banco central responderia a um choque sem acordo cortando as taxas de juro, como fez depois do referendo Brexit em 2016.

Transição poderá ter de ser prolongada até 2024

Mark Carney admitiu ainda que uma extensão do período de transição até 2024 poderá ser necessária para negociar a futura relação económica entre o Reino Unido e a União Europeia.

“Seria sensato avaliar, de uma forma cuidadosa, objetiva e transparente, quanto tempo será provável demorar a negociar a nova parceria económica e todos os respetivos aspetos e implementá-la”, advertiu perante os deputados na comissão parlamentar para as Finanças.

Como “um ponto de referência”, referiu que um acordo comercial demora, do início ao fim, cerca de quatro anos a negociar, seguido de um período de implementação de metade, ou seja, dois anos.

Atualmente, o acordo de saída negociado pelo Governo britânico e os 27 prevê um período de transição de apenas 21 meses, desde abril de 2019 ao fim de dezembro de 2020.

Carney alertou ainda para “os constrangimentos da outra parte”, no caso a UE, devido às eleições para o Parlamento Europeu de 2019.

“A minha experiência é que não se passa muito no período antes das eleições e semanas depois. Têm lugar exatamente no meio, por isso existe uma janela muito limitada para negociar”, comentou.

O rascunho do acordo de saída do Reino Unido do bloco comunitário contém uma cláusula que prevê a extensão do período de transição por “um período único e limitado”, mas o negociador chefe da UE para o ‘Brexit’, Michel Barnier assumiu na segunda-feira que ainda não há acordo entre os 27 sobre o limite da extensão.

Em termos de preparação, Carney disse que o setor financeiro já está muito avançado, mas concordou que a maioria das empresas britânicas “não estão preparadas” e questionou se a polícia das fronteiras e autoridade tributária conseguirá ter a logística pronta até ao final de 2020.

“Mas o Governo e outros terão uma melhor consciência do progresso que já foi feito sobre a parceria económica e quanto ainda precisa de ser feito”, vincou, a propósito da declaração que acompanha o acordo e que refere algumas das linhas gerais para a negociação a começar após o ‘Brexit’, em 29 de março de 2019.

Evitando fazer juízos sobre o acordo de saída do Reino Unido da EU, que deverá ser aprovado no conselho europeu no domingo em Bruxelas, Carney comentou que “qualquer acordo, em particular um com transição e alguma expectativa de parceria económica profunda no final do tempo, daria mais certeza às empresas e garantiria mais investimento no futuro.

O Banco da Inglaterra vai publicar uma avaliação do acordo a 28 de novembro com cenários que incluem o impacto para a economia britânica se o país sair da UE sem um acordo e sem uma transição.

Esta possibilidade tornou-se um risco maior devido à forte contestação que o acordo de saída teve, não só dos partidos da oposição como do próprio partido Conservador, em que vários deputados continuam a preparar uma moção de censura à líder, Theresa May.

Uma das queixas que têm feito é que o prolongamento da transição mantém o país na união aduaneira e impede que, apesar de poderem ser negociados e assinados, possam entrar em vigor novos acordos de comércio com países terceiros.

O acordo também não satisfaz o Partido Democrata Unionista (DUP), partido da Irlanda do Norte, que rompeu na segunda-feira um acordo de aliança ao votar contra o governo num voto da especialidade sobre o Orçamento de Estado e ao abster-se noutros votos.

Segundo o deputado do DUP Sammy Wilson, estes votos “planeados para enviar uma mensagem política ao governo”, indicando que poderá ajudar a chumbar o documento quando for votado no parlamento britânico.

(Notícia atualizada às 11h55 com informação sobre a possibilidade do prolongamento da transição poder ser até 2024)

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