Portugal obtém juros mais negativos. Em vez de 1.500, só colocou mil milhões em dívida de curto prazo

O IGCP não colocou o montante máximo indicativo no leilão desta quarta-feira. Este ano, a agência liderada por Cristina Casalinho não deverá voltar ao mercado de Bilhetes do Tesouro.

O Tesouro português pagou juros ainda mais negativos para colocar mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses. Apesar da forte procura, não foi emitido o montante máximo indicativo para o leilão, que deverá ser o último de dívida pública de curto prazo este ano, segundo o calendário da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP.

Na maturidade mais longa, o IGCP colocou 650 milhões de euros em BT que vence a 22 de novembro de 2019. Registou um juro de -0,327%, mais negativo que no último leilão comparável. Em setembro, o Tesouro tinha pago -0,27% para emitir dívida com a mesma maturidade.

Já no prazo mais curto, a agência liderada por Cristina Casalinho emitiu 350 milhões de euros em BT com maturidade a 17 de maio de 2019. Também neste caso houve uma diminuição do juro pago. A taxa foi de -0,369%, face aos -0,317% do último leilão comparável.

“De cada vez que Portugal precisa de ir ao mercado financiar-se para o curto prazo consegue fazê-lo a taxas negativas. Nestes leilões, as taxas foram ainda mais baixas do que nos últimos leilões comparáveis, de setembro de 2018 e a procura foi um pouco superior”, afirmou o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva.

O apetite dos investidores também foi mais robusto do que no último leilão de dívida com as mesmas maturidades. No caso das BT a 12 meses, a procura superou a oferta em 2,64 vezes, o que compara com as 1,6 vezes registadas em setembro. Nos títulos a seis meses, a procura ficou 2,63 acima da oferta, face às 2,5 vezes do último leilão.

Silva sublinhou, no entanto, que “curiosamente, o Tesouro não recolheu o montante pretendido”, acrescentando “talvez o IGCP não tenha necessidade de colocar os montantes estimados”.

Esta é a última emissão de BT e segue-se a um leilão de Obrigações do Tesouro a 10 anos, na semana passada. O IGCP colocou 1.250 milhões de euros para realizar um novo reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e conseguiu também juros mais baixos.

O Tesouro foi ao mercado numa altura de subida do risco para as dívidas da Zona Euro. Após o conflito entre Bruxelas e Roma em relação às metas para o défice italiano, a Comissão Europeia acabou por avançar com um Procedimento do Défices Excessivos sobre Itália, admitindo sanções. O clima de tensão tem levado a uma subida dos juros das dívidas soberanas da zona euro, em mercado secundário, nas últimas semanas. No caso de Portugal, a yield da dívida benchmark segue esta quarta-feira em queda, nos 1,96%.

(Notícia atualizada às 11h20 com mais informação)

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