Braga de Macedo: “Centeno tem capacidade de dizer ‘não’ sem lhe darem uma bofetada”

Braga de Macedo considera a relação entre o atual primeiro-ministro e o titular da pasta das Finanças como "única" e marcada pelo peso de Mário Centeno. É a razão do sucesso do Governo, diz.

“Única” e “original”. As duas palavras são usadas por Jorge Braga de Macedo para classificar a relação entre António Costa e Mário Centeno. O antigo ministro das Finanças do segundo governo de Cavaco Silva vê nela um elemento-chave para o sucesso do atual executivo, considerando que o poder de Mário Centeno lhe permite “dizer ‘não’ sem lhe darem uma bofetada“.

Este ponto de vista foi defendido por Braga de Macedo num debate para marcar o segundo aniversário do ECO que juntou, na passada terça-feira, três antigos titulares da pasta das Finanças. O antigo governante começou por explicar que “o poder do ministro das Finanças no processo orçamental é determinante” na gestão do jogo de forças entre os diferentes ministros dos governos com vista a garantir o sucesso orçamental.

O economista contextualiza que o ministro das Finanças, em sentido lato, é o único que no processo orçamental não é ‘spending minister‘, enquanto os titulares das restantes pastas tendem a assumir que a totalidade dos impostos arrecadados lhes é destinada. E por isso tendem também a exigir mais.

“A maneira como se tenta utilizar o primeiro-ministro nessas arbitragens é nada mais do que dramática”, explica Braga de Macedo. Se em causa estiver um ministro das Finanças com pouco poder, o processo orçamental tende a ser mais fragmentado, comprometendo o sucesso final alcançado.

E, neste âmbito, a história nunca terá jogado muito a favor da realidade portuguesa. “O processo orçamental português foi definido pelo FMI, em 2004, como dos mais fragmentados da OCDE”, refere Braga de Macedo. Mas o olhar que tem sobre o atual Governo é diferente. “Estou convencido de que a solução atual é original“, diz.

"As credenciais europeias são determinantes, ele [Mário Centeno] tem responsabilidade europeia e, portanto, tem poder por essa via.”

“Embora possa até não ter grande poder comparado com o que acontece na maior parte dos países, dado que Mário Centeno representa a Europa (e ainda por cima agora é presidente do Eurogrupo), acaba por ter uma capacidade de dizer não sem ‘lhe darem uma bofetada’ em termos políticos, muito maior“, defende Braga de Macedo, salientando que “as credenciais europeias são determinantes” e que Mário Centeno “tem poder por essa via”.

Ainda assim, o antigo governante social-democrata considera tratar-se de um “sucesso aparente”, salientando que “os problemas estruturais mantêm-se e a carga fiscal é anómala”.

Está tudo contente e rindo, a começar pelo próprio titular [Mário Centeno]”, num governo que é suportado por aquilo que considera ser uma “coligação bizarra“.

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