Associação Mutualista falha meta de captação de poupanças este ano. Quer mais 700 milhões em 2019

A Associação Mutualista esperava obter 970 milhões de euros em poupanças mutualistas, mas só deverá captar metade desse montante este ano. Para 2019, fixou meta de financiamento nos 700 milhões.

Sede da Associação Mutualista Montepio.Hugo Amaral / ECO 07 dezembro, 2018

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) espera terminar o ano com 558 milhões de euros captados através da venda dos seus produtos mutualistas, um valor que vai ficar muito aquém daquilo que era o objetivo da instituição. Para 2019, a meta de financiamento da maior mutualista portuguesa volta a ser desafiante, perante a expectativa de obter 700 milhões de euros junto dos associados, isto num quadro atual de quebra do número de sócios que Tomás Correia quer travar rapidamente.

Estes valores estão inscritos no programa de ação e orçamento para 2019 da AMMG a que o ECO teve acesso.

Até outubro, a instituição já tinha captado poupanças mutualistas no montante de 413 milhões de euros. E, embora preveja que este valor venha a aumentar em cerca de 150 milhões de euros nos últimos dois meses do ano, a mutualista vai ser incapaz de cumprir o objetivo de financiamento deste ano, em que previa captar poupanças dos seus associados na ordem dos 970 milhões de euros.

Há sobretudo um culpado para este mau desempenho: o produto Capital Certo, hoje em dia designado Poupança Mutualista, e cuja comercialização aos balcões do Banco Montepio esteve suspensa durante metade do ano.

“Não obstante todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e das ações de comunicação e de reforço da relação, as receitas associativas sofreram o impacto da fraca dinâmica de colocação no canal bancário, designadamente da indisponibilidade neste canal, entre 15 de fevereiro e 19 de agosto, de séries “Poupança Mutualistas 5.1”, por razões de reestruturação interna da Caixa Económica Montepio Geral“, aponta a AMMG no seu orçamento para 2019.

Em setembro, quando já se previa que a AMMG ia falhar a meta de financiamento deste ano, com o buraco criado pelo Capital Certo, Tomás Correia garantia que a suspensão da comercialização dos produtos mutualistas não tinha colocado qualquer pressão de liquidez à instituição, assegurando que ia cobrir as responsabilidades dos produtos que venceram e não tinham sido reaplicados.

Feitas as contas, a margem associativa (que resulta da diferença entre proveitos com associados e custos com associados) deverá ser negativa em mais de 250 milhões de euros, prevê o mesmo documento.

De resto, o próximo ano volta a ser exigente do ponto de vista da captação de poupanças dos associados. A AMMG espera obter receitas associativas no valor de 706 milhões de euros, 592 milhões dos quais serão captados por via da venda de produtos de capitalização, como a Poupança Mutualista. Estes produtos, que não tinham qualquer supervisão financeira até agora, vão passar a ser vigiados pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

É com uma boa parte deste montante que espera vir a obter junto dos seus associados que a mutualista conta para enfrentar os reembolsos e resgates previstos para 2019: deverão atingir os 559 milhões de euros.

E, assim, espera chegar ao final de 2019 com uma margem associativa novamente positiva, no valor de 121 milhões de euros, sabendo que deverá iniciar aquele ano com uma base de associados mais reduzida. A AMMG deverá terminar 2018 com cerca de 616 mil associados. Trata-se de uma queda de cerca de dez mil associados no espaço de um ano. Foram constituídos 29 mil novos sócios até outubro, mas o ritmo de saídas foi superior.

A instituição justifica esta quebra com a alienação de uma carteira de créditos pelo banco liderado por Carlos Tavares e que implicou a perda de associados ligados a estes créditos, segundo havia dito fonte oficial da mutualista ao ECO em setembro.

O programa de ação para 2019 aposta na vinculação dos associados através da captação de novos clientes sobretudo por via de outros canais que o não o banco e através de medidas que fomentem a retenção dos atuais associados.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Associação Mutualista falha meta de captação de poupanças este ano. Quer mais 700 milhões em 2019

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião