EDP emite mil milhões de euros em dívida híbrida verde a 60 anos. Forte procura e juro é vista como “sucesso” por Mexia

A EDP angariou mil milhões de euros em financiamento através de uma colocação de dívida verde híbrida por um prazo de 60 anos, acima dos 750 milhões iniciais. A taxa de juro foi de 4,5%.

A EDP concluiu com sucesso, esta quarta-feira, uma emissão de dívida verde híbrida por um prazo de 60 anos. A elétrica liderada por António Mexia captou mil milhões de euros, com uma taxa de juro de 4,5%, segundo dados comunicados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O montante ficou acima dos 750 milhões inicialmente avançados pela Bloomberg, enquanto a yield da operação ficou abaixo da inicialmente esperada, que era de 4,875%. As obrigações verdes têm maturidade a 30 de abril de 2079, sendo que o reembolso pode acontecer na mesma data de 2024. Ou seja, dentro de cinco anos e três meses.

“Esta foi uma emissão muito bem recebida pelo mercado, com uma procura que ultrapassou em cerca de três vezes o montante fixado de mil milhões de euros“, afirmou o CEO da empresa, António Mexia, em declarações ao ECO.

A taxa de juro desta emissão era inicialmente de 4,875%, valor que baixou depois para o intervalo entre 4,5% e 4,625% e acabou por ser fixada no final em 4,5%. Essa taxa é ainda inferior à da última operação do género levada a cabo pela elétrica há pouco mais de três anos.

Em setembro de 2015, conseguiu 750 milhões de euros numa emissão de dívida híbrida também a 60 anos, com maturidade em 2075, tendo conseguido uma taxa de juro de 5,5%. De acordo com a agência Fitch, a emissão não deverá servir para substituir essa colocação.

EDP torna-se primeira empresa portuguesa a emitir green hybrid bonds

Os títulos colocados são híbridos já que uma parte do retorno é fixa (taxa de juro) e outra depende do desempenho financeiro da empresa. Sendo uma emissão verde, tal significa que o valor angariado apenas pode ser aplicado no portefólio de projetos de energias limpas da EDP.

“Com este instrumento de dívida subordinada, a EDP reforça a estrutura de capital a um custo muito competitivo, ganhando flexibilidade para continuar a desenvolver o plano de negócios centrado em energias renováveis. Destaco ainda que este é o primeiro green hybrid de uma empresa portuguesa, depois de a EDP em 2015 ter lançado o primeiro instrumento híbrido e em 2018 ter feito a primeira emissão de green bonds”, acrescentou Mexia.

A emissão destina-se ao financiamento ou refinanciamento do portefólio de projetos verdes elegíveis do grupo EDP, que consiste em projetos renováveis – eólicos e solares – da EDP Renováveis, tal como definido no Green Bond Framework, de acordo com as informações enviadas pela empresa à CMVM. Teve ainda como objetivo alongar a vida média da dívida do grupo EDP, melhorar métricas de crédito e reforçar a flexibilidade financeira.

O Deutsche Bank atuou como banco estruturador e, juntamente com o Barclays, Crédit Agricole, HSBC, MUFG, NatWest Markets, Santander e UniCredit, como joint-lead managers e joint-bookrunners na operação concretizada esta quarta-feira.

(Notícia atualizada às 19h00 com declarações de António Mexia)

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