Do low cost ao premium… Portugueses compram cada vez mais produtos de luxo

Os portugueses são cada vez mais adeptos dos produtos de segmentos de luxo. A grande maioria não se importa de pagar mais por produtos que consideram ter mais qualidade e durabilidade.

Se nos anos da crise foi o boom do consumo low cost, com as companhias aéreas, as lojas de roupa e, até, os salões de cabeleireiros a oferecerem opções mais baratas, agora, os portugueses estão mais adeptos dos produtos do segmento de luxo, e não se importam de pagar uma quantia mais elevada por produtos que pautam por uma maior qualidade. A tendência tem vindo a ser sentida, aliás, um pouco por todo o mundo.

De acordo com o novo relatório Changing Consumer Prosperity, elaborado pela Nielsen, a maioria dos consumidores nacionais afirma estar disposta a pagar um preço mais elevado por produtos premium, que consideram ser de maior qualidade. Mais de 60% dos portugueses acreditam que este segmento oferece maior qualidade, seguindo-se a função ou performance superior (53%), o serviço prestado ao cliente (50%) e, ainda, o fator único e diferenciador (43%).

Já a escolha de produtos de gama premium acontece nas mais variadas categorias, desde a alimentação até à tecnologia. Comparativamente à média europeia, os consumidores portugueses atribuem uma considerável importância aos produtos frescos de qualidade, como carne, peixe e marisco. Em Portugal, 36% dos consumidores optam por comprar o segmento premium destes produtos, enquanto na Europa, apenas 31% dos consumidores faz esta escolha.

Mas, há outras categorias em que os portugueses não prescindem da qualidade. É o caso do vestuário e sapatos, dos bens eletrónicos, do cuidado oral e, também, do cuidado corporal. Em praticamente todos os setores, a média do país é superior à média dos restantes países da Europa.

Algo que Paula Barbosa, retailer vertical director da Nielsen Portugal, considera que se deve, em parte, às novas preocupações dos consumidores, em função dos seus estilos de vida cada vez mais preenchidos e atribulados. “As preocupações dos consumidores acabam por estar, intrinsecamente, relacionadas com a saúde e o bem-estar, assim como com uma vida mais equilibrada e feliz, com mais tempo para aquilo de que mais gostam”, explica. Tal justificação pode sustentar, também, o facto de cerca de um terço dos consumidores portugueses estarem “altamente dispostos” a pagar mais por produtos naturais, orgânicos e sustentáveis.

Mas não só os estilos de vida fazem aumentar o consumo premium. Também as alterações ao nível financeiro nos consumidores, “que nos últimos cinco anos consideram ter melhorado significativamente as suas condições financeiras, estando agora mais disponíveis para comprar”, tiveram influência. Tal como “a proliferação de espaços — físicos ou digitais — onde se podem encontrar os mais variados sortidos de produtos premium em todas as categorias de todas as dimensões”, explica.

Luxo, sim. Nas lojas físicas

Ainda que a internet esteja a tornar-se um destino cada vez mais popular para os consumidores que procuram produtos de luxo, especialmente gamas exclusivas e oportunidades únicas, os portugueses continuam a preferir, largamente, as lojas físicas quando pensam em adquirir um produto premium. Quando pensam em comprar um produto de luxo, 89% dos consumidores portugueses entram numa loja física para a fazer. Percentagem essa que continua a ser esmagadora e está bem acima da média europeia, que se encontra nos 60%.

O comércio online, por sua vez, ainda que não assuma números tão expressivos, tem vindo a registar um crescimento gradual. Cerca de 21% dos consumidores portugueses faz compras de luxo em lojas online de retalhistas locais, o que representa uma subida de três pontos percentuais em relação a 2016. Já no que toca a compras em lojas online, mas de retalhistas internacionais, apenas 17% dos consumidores assumem ser adeptos desta opção. Contudo, esta escolha também registou um aumento de quatro pontos percentuais.

O comércio online “é uma oportunidade para o consumidor, que tem acesso a mais produtos de qualidade, mas também para as lojas físicas, as lojas online e os fabricantes, dos maiores aos de menor dimensão”, afirma Paula Barbosa.

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