Exclusivo SIBS não encontrou parceiro estratégico e desiste do processo de venda

Manter o controlo da empresa era uma das condições para a operação de abertura do capital. Apesar de terem ouvido vários interessados, nenhum satisfez o grupo.

O processo de venda da SIBS, que estava em curso desde junho de 2017, foi fechado sem sucesso. Quase dois anos depois, a empresa portuguesa dona da rede Multibanco desistiu da operação por não ter encontrado comprador que cumprisse as condições dos acionistas. A revelação foi feita pela presidente executiva, Madalena Cascais Tomé, em entrevista ao ECO24, um programa realizado em parceria pelo ECO e pela TVI24, que será transmitido esta quarta-feira à noite.

Madalena Tomé, CEO da SIBS, em entrevista ao ECO24 - 06MAR19
Madalena Tomé, CEO da SIBS, em entrevista ao ECO24Hugo Amaral/ECO

“O que se procurava era um parceiro estratégico de caráter industrial, portanto, alguém que tivesse um perfil semelhante à SIBS, (ou seja, que fosse operador de pagamentos), com um conjunto de condições, nomeadamente, que os atuais acionistas mantivessem posição de controlo na SIBS. Não foi recebida nenhuma proposta satisfatória para um conjunto de condições predefinidas e nesse enquadramento os acionistas decidiram terminar o processo“, afirmou a CEO.

A SIBS é controlada pelos bancos do sistema, numa espécie de ‘coopetição’. É líder de mercado e tem apostado na internacionalização, nomeadamente através de aquisições em outros mercados internacionais. No entanto, as mudanças tecnológicas e os novos players na área bancária, bem como a necessidade de dar outra capacidade para um mercado global, levaram os acionistas a tentarem abrir o capital da empresa.

Todos os cenários estavam em cima da mesa — incluindo a venda total ou parcial, a uma empresa internacional do setor ou a um fundo de investimento — com o objetivo de encontrar este parceiro estratégico. A tentativa não foi, no entanto, bem-sucedida, apesar de terem sido “auscultado um conjunto de entidades”, como explicou a CEO.

Com lucros a crescer, grupo quer continuar internacionalização

Questionada se o falhanço da venda de parte do capital do grupo poderá comprometer a estratégia de crescimento, Madalena Cascais Tomé afirmou que esta não era necessária para esse fim pelo que continua empenhada na atividade. “Eu própria, e a comissão executiva que lidero, continuamos a executar a estratégia de crescimento definida não só para o triénio anterior, mas também para o próximo triénio 2018-2020 e que está a ter resultados muito positivos“.

Os lucros da SIBS ascenderam a 9,7 milhões de euros, em 2017 (segundo os últimos dados disponíveis). Em agosto, a empresa revelou que iria encerrar o ano passado com um novo registo histórico de transições e ver o valor atingir os quatro mil milhões dentro de cinco anos através da utilização dos múltiplos canais como a rede Multibanco, a rede ATM Expresso, terminais automáticos de venda, portagens (Via Verde) ou home banking e mobile banking.

Apesar de as contas da SIBS relativas a 2018 ainda não estarem fechadas, adiantou que os resultados são melhores que os de 2017. “Representam um crescimento em todas as linhas: nacional, internacional, novos serviços e serviços mais tradicionais… Também posso adiantar que os indicadores financeiros, sendo muito positivos, provavelmente não são o que nos move. O que nos move são os aumentos da transacionalidade que estamos a verificar. Fechámos 2018 com cerca de 3,4 mil milhões de transações, ou seja, mais 10% que no ano anterior“, acrescentou.

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