Há “mais de uma dezena” de interessados na fibra da Meo

A venda da rede de fibra ótica da Meo em Portugal está a gerar interesse no mercado, garante a administração da Altice Portugal. Há "mais de uma dezena" de investidores interessados.

Há muito que deixou de ser segredo que a Altice ATC 1,59% quer vender a rede de fibra ótica da Meo em Portugal. E os últimos sinais do comité executivo liderado por Alexandre Fonseca apontam para um negócio que está a gerar interesse no mercado.

“Há mais de uma dezena de candidatos” à operação e flexibilidade do lado da Altice em torno das condições em que a venda pode ocorrer, comentou o líder da empresa, num encontro com jornalistas, esta sexta-feira. Mas este ainda é “um processo em fase de análise” e as “ações subsequentes” vão ser decididas até ao fim do semestre, como já tinha sido noticiado pelo ECO.

Recentemente, a Reuters revelou que os investidores interessados avaliam o ativo entre os 5.000 milhões e 7.000 milhões de euros. Alexandre Fonseca assumiu conhecer estas estimativas, mas explicou que existem “várias” formas de calcular o valor do ativo — depende de se quem o está a avaliar é um hedge fund ou uma empresa de telecomunicações, por exemplo.

A ideia da Altice é tentar obter o máximo de retorno com a venda da rede de fibra. Até porque é uma infraestrutura que resulta de largos anos de investimentos milionários por parte da empresa e que cobre, atualmente, 4,49 milhões de lares em Portugal. A meta é de 5,3 milhões de casas passadas, com ou sem negócio.

“Estamos a falar de uma rede de fibra ótica construída numa lógica de wholesale, disse Alexandre Fonseca, recordando que, depois de a Anacom, em 2015, ter decidido não regular a rede de fibra da Meo, a operadora apresentou “voluntariamente uma oferta comercial” para que a Nos, a Vodafone e a Nowo pudessem, se quisessem, usar também esta rede.

“Desde o início, 30% da capacidade de cada cabo [de fibra] foi destinada a não ser usada por nós. Desde o início que queríamos usar esta rede numa lógica wholesale [grossista]”, frisou o presidente executivo da Altice Portugal. Mas há anos que as operadoras concorrentes se queixam de que os valores são demasiado elevados e não permitem rentabilizar uma eventual utilização.

“Estamos bem-dispostos. E isso é um bom sinal. Significa que há, ali, valor para extrair.

Alexandre Matos

Administrador financeiro da Altice Portugal

No mesmo encontro, Alexandre Matos, administrador financeiro, admitiu que a Altice tem flexibilidade para aceitar o modelo de negócio da operação de venda da fibra que permita gerar mais retorno para a empresa. “Estamos disponíveis para vários modelos. Estamos bem-dispostos. E isso é um bom sinal. Significa que há, ali, valor para extrair”, assumiu o CFO.

Segundo a Reuters, entre os interessados pela fibra ótica da Meo está a Brookfield Asset Management, o Canada Pension Plan Investment Board, o fundo KKR, a Macquarie Group, o grupo Blackstone e os espanhóis da Cellnex Telecom, assim como o fundo de investimento do Morgan Stanley, que comprou o portefólio de torres de telecomunicações da Altice Portugal no ano passado, em conjunto com um consórcio de Pires de Lima e Sérgio Monteiro.

A venda da fibra ótica da Meo em Portugal deverá permitir à operadora um maior foco nas operações core da empresa, ou seja, o negócio das telecomunicações para consumidores e empresas.

Em França, o grupo Altice vendeu 49,99% da rede de fibra ótica da SFR. O negócio foi fechado esta semana e permitiu à Altice France encaixar 1,8 mil milhões de euros, capital que será usado para reduzir a dívida. A infraestrutura foi adquirida por um consórcio da Allianz e da Axa.

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