“O pobre não deve desconfiar” dos passes a preço reduzido, diz Jerónimo de Sousa

  • Lusa
  • 1 Abril 2019

Jerónimo de Sousa mostrou-se satisfeito, esta segunda-feira, com os novos passes intermodais a preços reduzidos. O secretário-geral comunista que, "neste caso, o pobre não deve desconfiar" da esmola.

O secretário-geral comunista mostrou-se satisfeito, esta segunda-feira, com os novos passes intermodais a preços reduzidos, ao fazer uma viagem de comboio entre Portela de Sintra e Rossio, Lisboa, sublinhando que, “neste caso, o pobre não deve desconfiar” da esmola.

Jerónimo de Sousa frisou “o papel e intervenção do PCP” no processo e vincou que depois deste “passo decisivo” e “medida de grande envergaduraé necessário reforçar a oferta e a qualidade dos transportes públicos.

“Mesmo no plano ambiental e ecológico, isto é um passo de grande significado, que leva à tal incredulidade de algumas pessoas que não acreditavam. Como diz o nosso povo, ‘quando a esmola é grande o pobre desconfia’. Creio que, neste caso, o pobre não deve desconfiar porque é verdade que vai haver esta redução dos preços dos passes”, afirmou.

O líder comunista foi abordado por diversos utentes da linha de Sintra ao longo do percurso, sendo saudado pelo trabalho efetuado, nomeadamente o contributo para este Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART). O jornal Público noticiou hoje que, entre Estado e municípios, a despesa com a medida já ascende a 117,5 milhões de euros.

“Uma medida desta envergadura precisava de investimento orçamental. O Governo apresentou uma proposta que rondava os 80 milhões de euros. Por iniciativa do PCP, no quadro da discussão do Orçamento do Estado, conseguimos 104 milhões de euros, além da comparticipação das autarquias, para que esta medida não seja mais uma que fique no papel, mas esteja a ser concretizada, como se viu nesta viagem e nos transmitiram de que há filas imensas à procura do novo passe”, disse.

Jerónimo de Sousa argumentou que “é evidente que vai haver o aumento da procura” e que “é evidente que teve de aumentar a despesa porque há um benefício para os utentes, assim tinha de ser“.

“O que ouvi foi o reconhecimento pelo papel e intervenção do PCP neste processo de redução dos passes. Uma preocupação natural – este foi o passo adiante, decisivo, determinante, mas tem de ser complementado com o aumento da oferta, designadamente no plano ferroviário e fluvial -, mas uma satisfação imensa e até alguma incredulidade. Muitas pessoas que não acreditavam que o seu passe que custa 74 euros, vindo de Sintra até ao Rossio, passe a 30 euros. Menos de metade, todos os meses, pesa nos orçamentos das famílias, famílias de trabalhadores”, continuou.

O secretário-geral do PCP louvou “uma medida que tem grande alcance e impacto na vida de quem trabalha ou trabalhou e precisa de se deslocar em transportes públicos” e consequentes “poupanças de muitas centenas de euros para essas famílias”, um “passo decisivo que tinha de ser concretizado”.

Porém, o líder comunista alertou para o facto de a EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), apesar de já ter recuperado alguns trabalhadores, ainda ter recursos humanos “em número insuficiente”, defendendo que “há que dar o passo seguinte”, com investimento em “mais comboios e navios”.

A partir de hoje o novo passe Navegante Metropolitano custa no máximo 40 euros mensais por utente e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

São também criados 18 passes Navegante Municipal, um para cada dos 18 concelhos que integram a AML e, neste caso, permite apenas viajar no concelho para o qual foi adquirido por 30 euros.

As crianças até ao mês em que completam os 13 anos podem viajar gratuitamente em toda a AML com o cartão Lisboa Viva (no qual se carrega o passe) e são mantidos os atuais descontos para estudantes, reformados, pensionistas e carenciados, tendo como referência os novos preços.

Esta medida integra-se no PART, que pretende incentivar o uso dos transportes coletivos nas grandes cidades, estabelece que as Áreas Metropolitanas de Lisboa (AML) e do Porto (AMP) e as 21 Comunidades Intermunicipais (CIM) recebam 104 milhões de euros do Fundo Ambiental, através do Orçamento do Estado, e comparticipem o programa com um total de 2,6 milhões. A verba estará disponível a partir de 01 de abril.

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