Quem falhou na CGD? Houve um “certo facilitismo” na concessão de crédito, diz antigo revisor oficial de contas

Antigo revisor oficial de contas diz que a CGD facilitou no crédito. Oliveira Rego diz que depois veio a crise e as empresas deixaram de conseguir para a dívida. Daí as perdas para o banco.

Houve um “certo facilitismo” na concessão de crédito na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o banco público “facilitava” porque queria concorrer no mercado com os outros bancos. Depois, veio a crise e as “empresas deixaram de ter dinheiro para cumprir o serviço da dívida” e o malparado e imparidades dispararam no setor.

É desta forma que o antigo revisor oficial de contas da CGD, Manuel de Oliveira Rego, que está a ser ouvido esta terça-feira na II comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e atos de gestão do banco, responde à questão colocada pelo deputado comunista Paulo Sá: “O ROC? Quem falhou então?”.

Inicialmente, o responsável pela fiscalização da CGD entre 2000 e 2015 começou por associar as perdas do banco à crise económica. “Realmente, esse grande volume de imparidades decorre da evolução da economia portuguesa. As empresas têm mais dificuldades em arranjar dinheiro para pagar, para cumprir o serviço da dívida”, explicou. “Depois há desfasamento entre a incapacidade de recuperar ativo e aquilo que estava inscrito no balanço. É por isso que aparecem as imparidades 1.760 milhões de euros” em 2016, notou.

“Mas é tudo isso? Com certeza que outros fatores”, prosseguiu Manuel de Oliveira Rego, da Oliveira Rego & Associados. Houve “um certo facilitismo” na concessão de crédito por parte da CGD e “a documentação que suporta a decisão de crédito evidencia” este facilitismo, frisou o revisor de contas.

Sustentou a sua afirmação com o facto de muitas vezes as garantias apresentadas pelos clientes não serem suficientes. “Estavam abaixo de 120% do nível de cobertura. Vemos muitas vezes que nesse período estava abaixo do adequado”, sustentou, explicando depois que a CGD facilitou porque queria concorrer no mercado de crédito.

E deu como exemplo de risco máximo assumido pela CGD com o financiamento para compra de ações. Nesse caso, “o risco da compra de ação é diretamente transferido para o banco. Por é que não obtinham garantias adicionais?”, questionou, fazendo notar que já se registaram melhorias no colateral que é exigido na obtenção de um empréstimo.

De acordo com o relatório da EY, os 25 maiores créditos em incumprimento originaram uma perda por imparidade na ordem dos 1.200 milhões de euros. Manuel de Oliveira Rego disse anteriormente que as imparidades registadas em 2016 por causa de ativos problemáticos podem dar “resultados significativos” ao banco nos próximos anos, isto porque foram constituídas imparidades em demasiada e que uma parte significativa poderá ser revertida no futuro.

“A atual administração tem de gerir estes ativos porque tem ali resultados potenciais muito significativos. É preciso haver uma gestão apertada” destes ativos, frisou o responsável.

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