Portugal paga taxa mais baixa de sempre por dívida a 10 anos. Juro caiu para 1,143%

Portugal continua a tirar partido da descida dos juros nos mercados. Num duplo leilão, com títulos a 10 e 18 anos, viu as taxas caírem, conseguindo mesmo o custo mais baixo de sempre a 10 anos.

Portugal conseguiu mil milhões de euros num duplo leilão de dívida. Colocou a maior “fatia” dos títulos no prazo mais curto, a dez anos, prazo no qual registou a taxa mais baixa de sempre. Os investidores aceitaram financiar o país com um juro de apenas 1,143%, abaixo dos 1,298% registados na operação realizada em março.

Com as taxas de juro da dívida a renovarem mínimos nos mercados de dívida internacionais, à boleia do Banco Central Europeu mas também da melhoria da perspetiva do rating de Portugal por parte da DBRS, o IGCP aproveitou para emitir 600 milhões de euros no prazo a dez anos. A procura elevada registada (2,28 vezes a oferta) ajudou a taxa a descer para novo recorde.

Ao mesmo tempo que colocou dívida a dez anos, a agência liderada por Cristina Casalinho avançou com um leilão com um prazo mais longo, a 18 anos, linha na qual acabou por colocar os restantes 400 milhões de euros. Nesta maturidade, o IGCP conseguiu uma taxa de juro de 1,896%.

“A título comparativo em novembro de 2018 Portugal fez emissão a dez anos a pagar 1,9%, hoje consegue emitir para 18 anos com uma taxa mais baixa 1,896%”, diz Filipe Silva, do Banco Carregosa. “Face ao último leilão comparativo de 10 anos, que se realizou em março, a taxa baixou dos 1,298% para os 1,143%”, acrescenta, salientando que o país continua “a tirar partido da política que tem vindo a ser levada pelo BCE”.

Este duplo leilão, que tinha sido anunciado ao mercado no final da semana passada, marcou a primeira emissão de dívida de longo prazo deste segundo trimestre do ano. Não existe uma meta em termos de obrigações do Tesouro, mas com bilhetes do Tesouro o IGCP pretende obter até 4.000 milhões de euros, num contexto de queda das taxas.

“Estes leilões são bastante importantes para conseguirmos ir reduzindo o custo médio da nossa dívida”, nota Filipe Silva. A descida dos juros da dívida permitiu ao Estado poupar 1.270 milhões de euros com as emissões de dívida desde setembro de 2017, altura em que Portugal voltou a ter uma notação de investimento, notou recentemente Mário Centeno, ministro das Finanças. Os analistas consideram a margem para a redução nos juros está a ficar limitada, mas ainda veem espaço para melhorias no prémio de risco.

A redução das taxas está a levar o prémio de risco da dívida nacional para mínimos. Portugal conta já há algum tempo com taxas inferiores às de Itália nos mercados, apresentando um prémio de apenas 9,5 pontos percentuais face à dívida espanhola. No caso da dívida alemã, o spread é de 116 pontos.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h11 com comentário do Banco Carregosa)

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