Portugal paga taxa mais baixa de sempre para emitir 800 milhões em dívida a 10 anos. Juro cai para 1,059%

A agência liderada por Cristina Casalinho realizou esta quarta-feira um leilão duplo de obrigações do Tesouro. Entre títulos a 10 e 15 anos, o montante total colocado situa-se nos 1.250 milhões.

O Tesouro nunca pagou tão pouco para emitir dívida a 10 e 15 anos. No leilão duplo desta quarta-feira, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP colocou um total de 1.250 milhões de euros (o montante máximo indicativo) em obrigações do Tesouro (OT) que vencem a 2029 e a 2034. Em ambas as maturidades, o juro caiu face a anteriores emissões, atingindo mínimos históricos.

O IGCP emitiu 800 milhões de euros em OT que vem a 15 de junho de 2029, tendo pago um juro de 1,059%. No último leilão de dívida a 10 anos, realizado a 10 de abril, o Tesouro tinha pago uma taxa de juro de 1,143% (que era nessa altura a mais baixa de sempre nesta maturidade). Em mercado secundário, a yield das OT a 10 tocaram esta quarta-feira também mínimos históricos, em 1,074%.

Já no caso dos títulos que vencem a 18 de abril de 2034, a agência liderada por Cristina Casalinho colocou 450 milhões de euros, a uma taxa de juro de 1,563%. O valor representa também uma forte diminuição face aos 2,045% pedidos pelos investidores num leilão 13 de fevereiro, sendo igualmente um mínimo histórico.

“Foi um leilão normal, com taxas nos mínimos históricos, com o Estado Português a financiar-se em 1.250 milhões de euros”, afirmou o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva. “Emitir dívida de longo prazo e com este custo é muito positivo para o país e continuará a permitir ir reduzindo o custo do serviço de dívida“, sublinhou.

Investidores ignoram “ruído político”, mas apetite desacelera

Portugal voltou a beneficiar de uma redução das taxas pagas pela emissão de nova dívida, graças ao reforço da confiança dos investidores em Portugal e às condições externas favoráveis, em linha com o que tem acontecido nos últimos meses. A taxa de juro média paga por Portugal em novas emissões de OT, Bilhetes do Tesouro e Obrigações situou-se em 1,7%, no primeiro trimestre do ano. O valor, que é o mais baixo de sempre, compara com a taxa de 1,8% registada ao longo de 2018 e representa uma forte quebra face aos 2,6% de 2017.

Apesar de termos tido algum ruído político nos últimos dias, tal não veio afetar o risco do país. Continuamos a beneficiar das baixas taxas da dívida soberana europeia”, acrescentou Silva, referindo-se à crise política gerada na sequência da aprovação na especialidade da contagem integral do tempo de serviço dos professores. A medida iria engordar a despesa pública, obrigar a um orçamento retificativo e levou o Governo a ameaçar demissão caso a lei seja aprovada.

Neste cenário de crise política, os investidores continuaram a mostrar forte apetite pela dívida portuguesa. Ainda assim, a procura foi menos robusta que em anteriores colocações. Na dívida a 10 anos, superou a oferta em 1,88 vezes (face às 2,28 vezes do último leilão comparável), enquanto nas OT a 15 anos, a procura foi 1,9 vezes maior que a oferta (contra as 2,29 vezes do anterior leilão desta maturidade).

(Notícia atualizada às 11h25)

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