Retalho leva PSI-20 para terreno negativo, apesar dos ganhos na Europa

A Sonae a Jerónimo Martins lideraram as quedas na bolsa de Lisboa, que deslizou 0,05%. Novo imposto autorizado na Polónia penalizou a cotada liderada por Pedro Soares dos Santos.

O retalho pesou na bolsa nacional. O Governo polaco tem luz verde para aplicar um novo imposto sobre o setor, decisão que acabou por penalizar a Jerónimo Martins, que chegou a perder mais de 5%. A Sonae também castigou o índice português após ter revelado os resultados do primeiro trimestre.

Varsóvia ganhou a contestação contra a Comissão Europeia sobre o imposto ao retalho que Bruxelas tinha considerado ilegal. O Tribunal de Justiça Europeu permitiu ao Governo que aplica uma nova taxa que deverá aumentar as receitas orçamentárias do Estado polaco em cerca de dois mil milhões de zlotys (equivalente a cerca de 466 milhões de euros) por ano.

O objetivo deste imposto é apoiar o comércio local contra a competição das gigantes do setor, principalmente cadeias estrangeiras. O tribunal considerou que o aumento progressivo da carga fiscal não “implica a existência de uma vantagem seletiva”.

A Jerónimo Martins (dona da cadeia Biedronka na Polónia) tombou 2,19% para 13,37 euros por ação. Ainda assim, a concorrente Sonae caiu mais: 3,07% para 0,93 euros por ação. A empresa liderada por Cláudia Azevedo obteve um lucro de 18,3 milhões de euros, impulsionado pelo aumento nas vendas e rentabilidade operacional, no primeiro trimestre. Cresceu 6,5% face ao período homólogo, mas ficou abaixo da estimativa de 27 milhões de euros do CaixaBank.

Jerónimo Martins toca mínimos de um mês

Pesos-pesados sustentam índice. Semapa em alta após lucros

Apesar das fortes perdas do retalho, o PSI-20 deslizou apenas 0,05% para 5.129,04 pontos, com seis das 18 cotadas no vermelho. A travar estiveram os ganhos dos pesos-pesados BCP (0,87% para 0,25 euros), Galp Energia (0,93% para 14,13 euros) e EDP (1,05% para 3,19), que irá também reportar contas ao mercado ainda esta quinta-feira.

A Semapa, que divulgou na última sessão uma forte subida dos lucros, também valorizou no PSI 20: 1,07% para 13,18 euros. O conglomerado que atua nos setores da pasta e papel, cimento e ambiente, fechou o primeiro trimestre com um resultado líquido de 39,7 milhões de euros, mais 46,3% face ao mesmo período. A Secil foi a principal responsável por este crescimento, mas também o encaixe de 9,4 milhões de euros da venda do negócio de pellets pela Navigator.

A sessão foi de recuperação na Europa, o que também limitou as perdas em Lisboa. O índice pan-europeu Stoxx 600 ganhou 1,2%, enquanto a alemão DAX subiu 1,7%, o francês CAC 40 avançou 1,3%, o italiano FTSE MIB somou 1,38%, o espanhol IBEX 35 valorizou 0,6% e o britânico FTSE 100 ganhou 0,8%.

A contrastar com o sentimento positivo nas ações, o mercado de dívida continua a espelhar o risco da guerra comercial entre EUA e China. Os investidores beneficiaram o refúgio da dívida alemã, com a yield das Bunds a 10 anos a recuar para -0,095%. No caso de Portugal, o juro da dívida benchmark cedeu 4,70 pontos base para 1,079%. O euro deprecia-se 0,21% contra a par norte-americana para 1,118 dólares.

(Notícia atualizada às 17h15)

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