Crédito ao consumo recua para mínimos de sete meses em abril

Os bancos e as financeiras deram 563,7 milhões de euros em empréstimos para consumo, em abril. Trata-se do montante mais baixo desde setembro, consequência do recuo no crédito automóvel e pessoal.

O mês de abril ficou marcado por uma quebra do montante de crédito ao consumo concedido. Os bancos e as financeiras deram 563,7 milhões de euros em empréstimos com esse fim naquele mês. Trata-se do montante mais baixo dos últimos sete meses e deve-se ao recuo no crédito automóvel e pessoal.

Estatísticas divulgadas pelo Banco de Portugal, nesta segunda-feira, mostram que os bancos e as instituições de crédito especializado concederam 563,683 milhões de euros em empréstimos ao consumo em abril. Este montante representa uma quebra de 8,7% face aos 617,471 milhões de euros disponibilizados em março e é o valor mais baixo desde setembro de 2018.

Face ao mesmo mês do ano passado, a verba disponibilizado apresenta também uma redução na ordem dos 3,8%, naquela que é ainda a primeira redução homóloga desde pelo menos 2013, tendo em conta o histórico da entidade liderada por Carlos Costa.

Evolução das principais classes de crédito ao consumidor

Fonte: Banco de Portugal

A redução dos níveis de concessão coincide com um período em que está em plena implementação a recomendação do Banco de Portugal com vista a colocar um travão ao crédito às famílias, visando prevenir situações de sobreendividamento.

De forma desagregada, a generalidade das finalidades de crédito ao consumo apresentaram uma tendência de redução em abril. Mas foram sobretudo o crédito automóvel e os outros créditos pessoais, as categorias que mais pesaram no rumo negativo da concessão.

Em abril, na categoria de outros créditos pessoais — inclui empréstimos sem finalidade específica, lar e outras finalidades — foram concedidos 244,112 milhões de euros, 11,6% abaixo dos 276,052 milhões disponibilizados em março. Em termos homólogos também se observou uma redução na ordem dos 1%.

Já no automóvel, entre março e abril, observou-se uma descida de 2%, para os 233,403 milhões de euros. Em termos homólogos, a quebra de 8%. Os montantes de financiamento recuaram em todos os segmentos e tipo de carros.

Mas foram os empréstimos para aquisição de carros novos os que mais baixaram. Na locação financeira ou ALD a redução mensal foi de 16,7%, para 24,734 milhões de euro, enquanto no segmento de reserva de propriedade o corte entre março e abril foi de 4%, para 48,681 milhões de euros. Nos usados a redução mensal foi de 3,3% e de 0,1%, respetivamente, para 8,992 milhões e 150,996 milhões de euros. Em termos homólogos, as quebras foram de 8,7 e 4,2%, respetivamente, nesse segmento.

Já na categoria de cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto registou-se uma quebra mensal de 17%, para os 78,197 milhões de euros. Em termos homólogos, a redução foi de 1%.

Por sua vez, os empréstimos destinados à educação, saúde, energias renováveis e locação financeira de equipamento registaram uma redução mensal de 13%, para 7,971 milhões de euros. Face ao mesmo mês do ano passado, a tendência foi no entanto de subida: 45,7%.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, os bancos e as financeiras concederam 2.324 milhões de euros em crédito ao consumo, uma redução de 2,66%, a primeira do histórico do Banco de Portugal que tem início em 2013.

(Notícia atualizada às 11h47 com mais informação)

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Crédito ao consumo recua para mínimos de sete meses em abril

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião