Trimestre negativo trava ganhos no ano. Subida de 9% deixa PSI-20 na cauda da Europa

O índice fechou o trimestre negativo, mas o saldo do ano é positivo. A Jerónimo Martins é a estrela do semestre. Bancos centrais poderão manter o ímpeto no resto ano, mas há incerteza.

A bolsa de Lisboa fecha a primeira metade do ano com saldo positivo, mas o percurso foi tudo menos linear. O arranque do ano foi de correção após a forte tendência vendedora de dezembro, enquanto o segundo trimestre foi de desvalorização. Para o próximo semestre, os bancos centrais poderão dar impulso, mas a geopolítica internacional será decisiva.

“O desempenho do PSI-20 foi positiva neste primeiro semestre, apesar de termos assistido a algum arrefecimento no segundo trimestre, com destaque para a desvalorização que ocorreu no mês de maio. Em todo o caso, uma performance acima dos 8% no período não deixa de ser positiva e vai em linha com a do mercado espanhol”, afirma Pedro Barata, gestor da GNB Gestão de Ativos.

O PSI-20 acumula um ganho de 8,58% desde o início do ano, apesar da desvalorização de 1,33% no trimestre, após ter fechado a sessão desta sexta-feira a subir 0,68% para 5.137,47 pontos, elevando para 1,85% o ganho acumulado em junho. Este é o melhor primeiro semestre do índice de referência nacional desde 2017, quando o índice subiu mais de 10%.

O gestor da GNB GA aponta para as taxas de juro negativas, a recuperação da economia portuguesa e a evolução positiva dos outros mercados desenvolvidos como os principais fatores que influenciaram o PSI-20. No entanto, lembra que “no resto da Europa, os mercados têm estado mais fortes com rentabilidades perto do dobro das conseguidas pelos dois mercados ibéricos“.

Comparando com as principais pares, o PSI-20 fica na cauda da Europa. O índice pan-europeu Stoxx 600 acumula um ganho de 13,87% no semestre, após uma valorização de 0,60% nesta sessão. O alemão DAX subiu 1,09% este ano e 16% nesta sessão, enquanto o francês CAC 40 valorizou 0,93% e 16%, respetivamente. Apenas o espanhol IBEX-35 valorizou menos que Lisboa, com uma subida de 0,56% na sessão e 7% no semestre.

Com CTT em mínimos e Jerónimo em alta, potencial está na Altri

“As perdas avultadas dos CTT e as desvalorizações ligeiras de pesos-pesados como a Galp e a Navigator acabaram por arrastar o PSI-20. O núcleo exportador do PSI-20 foi penalizado pela escalada da guerra comercial entre EUA e China”, explicou Steven Santos, gestor do BiG – Banco de Investimento Global.

Os CTT lideraram as perdas no índice, acumulando uma desvalorização de 28,17% desde o início do ano. As ações, que fecharam a valer 2,11 euros após um ganho de 2,42% esta sexta-feira, tocaram esta semana mínimos históricos nos 2,06 euros. O último golpe foi uma auditoria da Anacom que deu à empresa 40 dias úteis para separar gastos da atividade postal e bancária, mas a cotada tem sido pressionada, há vários meses, pelos lucros em queda, pelo processo de reestruturação e pelas dificuldades do banco em competir com os gigantes do setor.

Mas a operadora postal não foi a única cotada a fechar o semestre no vermelho, com destaque para as exportadores. As papeleiras Navigator e Semapa desvalorizam 6,72% e 5,65%, enquanto a petrolífera Galp Energia cede 1,96%.

Jerónimo Martins dispara 37%

No polo positivo, a Jerónimo Martins foi, sem dúvida, a estrela em termos de valorização positiva no primeiro semestre. A elevada atratividade da Polónia, o principal mercado da Jerónimo Martins, e a posição de liderança da retalhista no país justificam o desempenho positivo em bolsa. A Polónia vive uma época dourada de crescimento económico e o motor é, precisamente, o consumo privado, impulsionado por um vasto mercado interno e pelos aumentos salariais”, destaca Santos.

A retalhista disparou 37,28% desde o início do ano, tendo fechado a sessão desta sexta-feira a valer 14,16 euros. Nenhuma outra cotada do PSI-20 registou ganhou destas dimensões, mas também o BCP (18,47%), a Mota-Engil (18,32%) e a Corticeira Amorim (13,11%) se destacaram positivamente. A EDP e a EDP Renováveis — que souberam neste trimestre que afinal não iam ser compradas pela China Three Gorges — valorizam 9,61% e 16%, respetivamente.

Bancos centrais podem impulsionar, mas geopolítica traz incerteza

À parte dos ganhos ficou a papeleira que mais ganhou nos primeiros meses do ano e é, por isso mesmo, a cotada em que o gestor do BiG vê maior potencial. “Depois de registar uma correção expressiva de 25% desde março, a Altri poderá ter espaço para recuperar no resto do ano, especialmente se ocorrer um recuo na atual guerra comercial, que retrai o comércio global e afeta as exportadoras”, disse sobre a empresa, que valoriza 5,26% no ano.

De forma geral, ambos analistas antecipam que o PSI-20 mantenha o sentimento positivo nos próximos meses, especialmente devido à mudança na postura do bancos centrais. Com a Reserva Federal dos EUA e o Banco Central Europeu (BCE) a apontarem para a necessidade de estímulos adicionais, poderá ser a política monetária a impulsionar as bolsas europeias.

No entanto, há fatores de incerteza. Apesar de a nível doméstico em Portugal o foco estar nas eleições legislativas em outubro, é o domínio internacional que preocupa os gestores. A guerra comercial entre EUA e China aparece à cabeça da lista de riscos, mas não é única. Brexit, tensões no Médio Oriente com impacto no petróleo (e consequentemente na Galp) e a desaceleração económica também irão determinar o sentimento nas bolsas.

“Sendo o mercado português um mercado periférico, estará sempre condicionado à evolução dos outros mercados mundiais mais representativos. Para estes, a expetativa para o segundo semestre continua a ser positiva, mas com alguma volatilidade fruto não só da evolução das taxas de juro, mas também de alguma incerteza política”, acrescentou Pedro Barata, do GNB GA.

(Notícia atualizada às 17h30)

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