Ricardo Salgado acrescenta nova versão sobre pagamentos a Zeinal Bava

  • ECO
  • 9 Julho 2019

O ex-banqueiro diz que as transferências de dinheiro para Zeinal Bava teriam como objetivo financiar a entrada do gestor no capital da PT.

O ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, foi ouvido segunda-feira no âmbito da Operação Marquês, tendo apresentado ao juiz Ivo Rosa uma nova versão para os pagamentos feitos a Zeinal Bava. Se antes tinha garantido que os mesmos visavam convencer o então líder da PT a não se transferir para a concorrência, agora diz que, afinal, o objetivo da transferência de 6,7 milhões de euros feita em dezembro de 2007 era financiar a entrada de Zeinal Bava no capital da então maior empresa portuguesa, adianta o Observador esta terça-feira (acesso livre).

Esta é a primeira vez que Ricardo Salgado dá uma explicação para essa primeira transferência para Zeinal Bava, e que vem corroborar a versão que já tinha sido dada pelo ex-presidente da PT.

Segundo o Observador, o ex-banqueiro negou, perante Ivo Rosa, que receasse vir a ser envolvido em investigações criminais por ter feito transferências para o arguido Zeinal Bava. “Isso foram adiantamentos de pagamentos fiduciários”, afirmou. Ou seja, fundos que pertenciam ao GES mas estavam à guarda de Bava numa conta bancária propositadamente aberta para o efeito na Union des Banque Suisses (UBS), em Singapura, em nome de uma sociedade offshore controlada pelo gestor da PT.

A justificação para esses “adiantamentos de pagamentos fiduciários” é que mudou no discurso de Salgado. Quando foi constituído arguido, em janeiro de 2017, este ligou as transferências de 18,5 milhões de euros realizadas em 2011 à ida de Zeinal Bava e de uma equipa por si liderada para o Brasil dois anos mais tarde (em junho de 2013) para liderar a Oi/Telemar.

Agora, perante Ivo Rosa, o ex-presidente veio dizer que a transferência de 6,7 milhões de euros realizada a 7 de dezembro de 2007 — o mesmo dia em que ordenou também que o saco azul transferisse cerca de 500 mil euros para Henrique Granadeiro, então o líder da PT — nada tem a ver com a ida de Bava para o Brasil.

Essa transferência visava sim garantir que Zeinal Bava continuava na PT — tudo porque o gestor terá dito a Salgado que o seu futuro poderia não passar pela operadora portuguesa. Vendo-o com um estado espírito esmorecido, tal como descreve o Observador, Salgado pensou nessa operação fiduciária para conseguir mantê-lo na PT, financiando a sua entrada no capital da operadora nacional.

Segundo Ricardo Salgado, Bava queria um valor a rondar os 15 milhões de euros mas disse-lhe que a disponibilidade daquele momento apenas permitiria transferir um valor entre 5 e os 7 milhões de euros. O ex-banqueiro disse ainda que só soube que tinham sido 6,7 milhões de euros a posteriori.

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