Do que reclamam os investidores portugueses? E de quem?

Número de queixas dos investidores registou uma queda acentuada no ano passado. Houve mudanças nos motivos de queixa, sendo o Santander o principal visado.

“Vestir a capa” de investidor é uma missão que pode resultar em retornos atrativos, mas que acarreta riscos e por vezes razões de queixa. E neste último campo, em específico, o ano passado trouxe boas notícias. O número de reclamações dos investidores relacionadas com o serviço prestado pelos intermediários financeiros caiu 67% face ao ano anterior. E houve mudanças nos principais motivos de queixa.

Em 2018, a CMVM recebeu 462 reclamações de investidores, 67% aquém do número verificado no ano anterior. Esta quebra insere-se no âmbito de um regresso “à normalidade”, isto após quatro anos marcados pelo disparo das queixas de investidores relacionadas com as medidas de resolução aplicadas ao BES e ao Banif.

O total das reclamações que deram entrada no ano passado na CMVM, o regulador do mercado de capitais, debruçavam-se sobre 49 intermediários financeiros. Mas há intermediários que suscitam mais razões de queixa do que outros.

Banco Santander no topo das queixas

O Banco Santander Totta foi a instituição cuja atividade de intermediação financeira foi alvo do maior número de queixas no ano passado. No total, 80 investidores apresentaram reclamações sobre essa entidade. Ou seja, cerca de duas em cada dez reclamações visaram aquela instituição.

Ainda assim, nem tudo joga em desfavor do banco liderado por Pedro Castro e Almeida, cujo negócio de intermediação financeira registou uma quebra de 32,8% no número de queixas quando comparado com as que tinha merecido no ano anterior.

Mais acentuada foi ainda a quebra nas queixas endereçadas ao BCP –54% –, mas ainda assim o banco ficou na segunda posição neste ranking de queixas.

Entre os cinco principais alvos de de queixa, apenas um teve um ano marcado por um acréscimo de reclamações: o BPI. Este banco mereceu 45 queixas, um aumento de 32,4%, ocupando assim a quinta posição atrás do Novo Banco.

E as razões de queixa? Qualidade da informação no topo

Não discriminando de forma individual os motivos que suscitaram as queixas dos investidores das entidades em causa, é possível no entanto constatar a aquela que foi a tendência global.

Qualidade da informação lidera queixas. Comissões vêm logo a seguir

Fonte: CMVM

A qualidade da informação prestada aos investidores continuou a ser o principal foco das reclamações apresentadas — 33% do total –, incidindo sobretudo na informação pré-contratual. Mas houve um corte acentuado nesse tipo de queixas face ao ano anterior (tinham pesado 68% do total).

As reclamações relativas a comissões, encargos e clausulas contratuais praticadas pelos intermediários financeiros foram o segundo motivo reclamado, com estas a passarem de 11% do total para 23%. Na base de muitas dessas queixas estiveram ainda as comissões de custódia de ações de bancos alvo de medidas de resolução, que subiram para 14% do total. A execução de ordens foi outra matéria objeto de um número crescente de reclamações, tendo representado 20% do total.

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