Papeleiras penalizam bolsa de Lisboa. Powell não convence investidores

Em plena época de apresentação de contas no PSI-20, os investidores a nível global digerem a decisão da Fed de cortar juros pela primeira vez em mais de uma década.

A época de resultados não está a ser feliz para os investidores na bolsa de Lisboa. A Altri, que apresentou após o fecho da última sessão uma quebra de 8,1% nos lucros para 67,9 milhões de euros no semestre, é o destaque desta quinta-feira. A industrial do setor do papel e pasta de papel chegou a tombar 3% nas primeiras negociações para 5,80 euros por ação.

Todo o setor está a penalizar o índice PSI-20, que abriu a perder 0,27% para 4.997,19 pontos. A Semapa desvaloriza 1% para 11,86 euros e a Navigator cede 0,79% para 3,02 euros. O retalho também segue negativo, com a Sonae a perder 0,36% e a Jerónimo Martins a recuar 0,34%.

A Corticeira Amorim anunciou esta manhã, antes da abertura do mercado, que fechou os primeiros seis meses do ano com lucros de 40,4 milhões de euros, um valor ligeiramente inferior ao registado no mesmo período do ano passado. A empresa até viu as receitas crescerem, mas os custos registaram um aumento mais expressivo, pesando no resultado líquido. As ações perdem 0,63% para 9,67 euros.

Em sentido contrário, o BCP — que registou em julho o pior mês desde 2017 graças ao aviso de que a margem financeira será penalizada pelo Banco Central Europeu — corrige e ganha 0,74% para 0,23 euros. A travar as perdas está também a Galp, que avança 0,18% para 14,11 euros.

Fed corta juros, mas não entusiasma

A nível global, os investidores estão a digerir o anúncio da Reserva Federal norte-americana desta quarta-feira. O banco central dos EUA cortou a taxa de juro de referência em 0,25 pontos base, para um intervalo entre 2% e 2,25%, reduzindo as taxas pela primeira vez desde dezembro de 2008.

O presidente da Fed, Jerome Powell, sinalizou que se irá manter atento às condições económicas e que poderá agir novamente caso os objetivos não se concretizem, mas também deixou claro que este não é o início de um ciclo de subidas, mas sim um estímulo isolado à economia devido à incerteza da guerra comercial.

O incentivo foi curto para os investidores. Após um tombo superior a 1% em Wall Street, as principais praças europeias seguem a tendência. O índice pan-europeu Stoxx 600 e o francês CAC perdem 0,3%, espanhol IBEX 35 recua 0,2% e o italiano FTSE MIB desvaloriza 0,42%. A braços ainda com a possibilidade de um Brexit sem acordo, o britânico FTSE 100 cai 0,6%.

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