Q&A

O que está a acontecer nos seguros do ramo Vida?

José Galamba de Oliveira, presidente da APS – Associação Portuguesa de Seguradores, explica a evolução peculiar do ramo Vida no primeiro semestre do ano.

Os seguros de Vida registaram uma quebra de 4,4% para 3,8 mil milhões de euros no volume de prémios emitidos no primeiro semestre deste ano face a igual período de 2018. Também os custos baixaram, esses de forma mais substancial, em 18,3%, para 2,93 mil milhões de euros. Finalmente as provisões matemáticas, subiram 4,5% atingindo 41,373 mil milhões de euros, um valor superior em 1,8 mil milhões relativamente a 2018.

O ramo Vida está subdividido em componente Vida-Risco (13% dos prémios Vida emitidos) onde se verificou uma variação homóloga discreta e Vida-Financeiro (os restantes 87% dos prémios Vida) tendo este sub-ramo registado uma variação acentuada nos primeiros seis meses deste ano face a igual período de 2018.

Procurámos uma explicação junto de José Galamba de Oliveira, presidente da APS.

José Galamba de Oliveira, pesidente da Associação Portuguesa de Seguradores, em entrevista ao ECO - 30MAI19
José Galamba de Oliveira: “Boa parte dos seguros em carteira tem taxas de rentabilidade relativamente competitivas face aos padrões atuais dos produtos disponíveis no mercado, o que desincentiva o seu resgate”Hugo Amaral/ECO

Houve uma quebra de 4,4% na receita de prémios do ramo Vida no primeiro semestre de 2019 face a igual período do ano passado. Trata-se de uma redução de novos negócios como consequência de fraca rentabilidade dos produtos financeiros devido a menores taxas de juro?

O contexto de baixas taxas de juro não é, de facto, o mais favorável para o mercado da poupança de longo prazo. Mas a evolução dos prémios e contribuições para produtos do ramo Vida deve ser vista numa perspetiva mais ampla.

Por um lado, relembro que o primeiro semestre de 2018 foi um período de crescimento invulgar da produção do ramo Vida (+21% face ao período homólogo do ano anterior), sendo que o volume de produção deste primeiro semestre de 2019 se mantém, apesar de tudo, bem acima do dos períodos homólogos de 2017 e 2016.

Por outro, ressalvando que parte desta evolução decorre da própria estratégia de oferta das seguradoras, que têm de gerir com racionalidade as responsabilidades que vão assumindo. Por isso limitam, elas próprias, as emissões dos seus produtos.

Por fim, noto que, não obstante o decréscimo da produção, o volume de poupanças acumuladas no ramo Vida (provisões matemáticas) continua a aumentar.

Verificou-se uma quebra grande nos custos. Serão indemnizações, porque os custos serão mais rígidos? Há razão excecional para uma quebra de quase 20%?

Embora não tenhamos ainda dados com o necessário detalhe para o demonstrar, a redução dos custos com sinistros refletirá essencialmente uma evolução idêntica dos montantes pagos em resgates e reembolsos de seguros de poupança. Importa notar que boa parte dos seguros em carteira tem taxas de rentabilidade relativamente competitivas face aos padrões atuais dos produtos disponíveis no mercado, o que desincentiva o seu resgate.

Há aumento significativo das provisões Matemáticas. É uma situação normal? Houve algum reforço extraordinário?

Decorre da conjugação de dois fatores:

Por um lado, deste saldo positivo entre os prémios recebidos e os montantes pagos nos produtos financeiros, saldo esse que representa uma poupança líquida adicional que os aforradores estão a depositar à gestão do setor segurador.

Por outro, da rentabilidade gerada nas poupanças acumuladas, que acresce tipicamente às provisões matemáticas.

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