Venda de malparado dá prejuízo de 100 milhões ao Novo Banco

A venda de uma carteira de crédito em incumprimento no valor de 2,7 mil milhões de euros teve um impacto negativo de 106 milhões de euros. Novo Banco destaca redução do rácio de NPL para 15%.

O Novo Banco confirmou a venda de uma carteira de malparado com o valor de 2,7 mil milhões de euros ao fundo Davidson Kempner por 191 milhões de euros. A operação vai dar um prejuízo de 106 milhões de euros ao banco português, que, em contrapartida, verá o rácio de NPL (non performing loans) cair para 15%, apurou o ECO.

O banco esclareceu esta quinta-feira que o “Projeto Nata 2”, que inclui grandes créditos mediáticos em situação de incumprimento como os da Ongoing, de Joaquim Oliveira ou de Moniz da Maia, tinha um valor original de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros, e foi agora vendido à Burlington Loan Managment, uma sociedade da Davidson Kempner — a diferença entre o valor bruto contabilístico e o valor original outstanding decorre de neste estarem incluídos compromissos, garantias e até write off.

Feitas as contas, o negócio foi realizado com um desconto de 89% sobre o valor contabilístico bruto. Já sobre o valor líquido, o desconto foi de 35%, “o que prova que esta carteira de créditos já tinha um nível muito elevado de imparidades”, diz fonte do banco ao ECO.

A mesma fonte adiantou que “o banco decidiu desde o início do processo reservar a possibilidade de retirar créditos incluídos inicialmente no projeto Nata II, desde que tivesse melhores propostas individuais, o que aconteceu com cerca de uma dezena de casos“.

Para lá do impacto negativo nas contas de exploração, o Novo Banco destaca o “efeito positivo no capital”. Com esta transação, que se prevê que esteja concluída nos próximos meses, rácio de NPL baixará para 15%, face ao nível de 20,7% registado em junho.

Este valor compara com um rácio de malparado em todo o sistema português de 9,4% no final do ano passado.

O Novo Banco, detido a 75% pelo Lone Star e 25% pelo Fundo de Resolução, tem vindo a acelerar a venda de carteiras de malparado e outros ativos problemáticos e não estratégicos no âmbito do plano de reestruturação que terminará em 2021.

Recentemente, a instituição anunciou a venda de um portefólio de ativos imobiliários (Projeto Sertorius) no valor de 400 milhões de euros à Cerberus e ainda outro conjunto de ativos imobiliários e crédito não produtivo em Espanha (Projeto Albatroz) com o valor de 300 milhões à Waterfall.

No comunicado enviado esta quinta-feira à CMVM, “esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não produtivos e permitirá acelerar a sua redução”.

(Notícia atualizada às 19h23)

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