Quem ganha e quem perde com os ataques ao campo petrolífero saudita?

  • Lusa
  • 16 Setembro 2019

Um ataque, no sábado, a um campo petrolífero na Arábia Saudita, provocou uma forte subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais.

Os preços do petróleo registaram a maior subida desde 1991, após o ataque, sábado, a um campo petrolífero na Arábia Saudita, que provocou uma redução brutal na produção do maior exportador de petróleo do mundo.

Os vencedores e os perdedores do ataque e do brusco retomar de tensões geopolíticas são os seguintes, de acordo com comentários e análises recolhidas pela agência noticiosa France Presse:

Arábia Saudita é a grande perdedora

O ataque pôs em causa a capacidade do reino de proteger as suas instalações petrolíferas, de que dependem os seus principais recursos, apesar de importantes investimentos na proteção.

O projeto de entrada na bolsa da Aramco, a empresa pública proprietária do centro atingido, poderá cair uma vez que pode pesar na sua valorização: se a empresa, as respetivas infraestruturas e as reservas estão em risco, “os investidores vão querer mais pelo dinheiro que poderão investir”, explica Neil Wilson, analista da Markets.com.

OPEP no meio termo

O ataque estimulou os preços do crude, numa altura em que os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tentam, há meses, encontrar forma de limitar a oferta e estabilizar preços.

Os membros e parceiros de alianças petrolíferas deverão, contudo, estar dispostos a satisfazer, a curto prazo, a falta de produção de Riade, o que, por seu lado, irá gerar maiores receitas, considera Craig Erlam, analista da corretora Oanda.

O ataque e as tensões entre dois países membros põem a nu, de qualquer forma, as dissensões na organização e mancha a reputação e o papel da OPEP no mercado mundial.

EUA saem vencedores, mas também com maiores riscos

Os Estados Unidos deverão lucrar com o ataque contra o “gigante” saudita graças à sua própria produção petrolífera, dinamizada pela exploração maciça do gás de xisto, defendem os analistas da JBC Energy.

“Os Estados Unidos vão continuar a produzir e os preços mais elevados só irão favorecer o crescimento da produção norte-americana”, refere Neil Wilson.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter já dado “luz verde” para que o país possa utilizar, se necessário, as suas reservas estratégicas de petróleo para “atenuar todos os choques no curto prazo”, observou David Cheetham, analista da XTB, o que posiciona os Estados Unidos, já exportadores, como uma força alternativa de regulação de oferta petrolífera.

Mas há também um efeito em sentido contrário para a economia dos EUA: a brusca subida dos preços poderá pesar ainda mais num crescimento já lento.

Novo golpe para a China

A China, já envolvida num conflito comercial com os Estados Unidos, deverá sofrer negativamente com o ataque, que poderá pesar na sua economia “muito gulosa de energia” e muito dependente dos preços do petróleo.

Irão ameaçado com represálias

O Irão, a braços com as sanções económicas que os norte-americanos impõem à venda do petróleo iraniano ao estrangeiro, é acusado pelos Estados Unidos de estar na origem do ataque. Teerão nega, mas o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou já com novas represálias.

Rússia bem colocada

Enquanto parceira da OPEP e a segunda maior exportadora de petróleo, a Rússia fará “certamente parte dos que estão prontos a aumentar a produção se for necessário, pelo que deverá lucrar no curto prazo, defendeu Craig Erlam.

“Falta saber quanto tempo irá demorar a Arábia Saudita a relançar a produção”, acrescentou.

Consumidores perdem

Em França, por exemplo, prevê-se um aumento na ordem dos 4 a 5 cêntimos por litro nos combustíveis, segundo disse à France Presse Francis Duseux, presidente da União Francesa das Indústrias Petrolíferas (UFIP).

Esse aumento antecipado do preço dos combustíveis poderá afetar a economia mundial ao cortar-se no orçamento dos consumidores.

No sábado, aparelhos não-tripulados (‘drones’) atingiram instalações da petrolífera Aramco no leste da Arábia Saudita.

O ataque, que foi reivindicado pelos rebeldes Huthis do Iémen, atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo e um grande campo de petróleo, provocando grandes incêndios numa zona vital para o fornecimento global de energia.

Os Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, reivindicam regularmente lançamentos de mísseis com ‘drones’ contra alvos sauditas e afirmam que agem como represália contra os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen em guerra desde 2015.

O fornecimento de petróleo da Arábia Saudita, maior exportador mundial, sofreu temporariamente um corte para metade (cerca de 5,7 milhões de barris diários).

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