Telefónica contrata banco para analisar compra da brasileira Oi

  • ECO
  • 16 Setembro 2019

Espanhóis estão a ponderar avançar com uma oferta sobre a operadora brasileira Oi, onde a Pharol detém 5,5%.

A espanhola Telefónica está a analisar a potencial aquisição da operadora rival brasileira Oi, que continua a debater-se com problemas financeiros graves e que apresenta um valor de mercado de 6.000 milhões de euros, adianta esta segunda-feira o jornal El Confidencial (acesso livre/conteúdo em espanhol).

Fontes próximas das negociações adiantaram ao jornal espanhol que a Telefónica já contratou um banco de investimento como assessor financeiro para que ajudar a avaliar as melhores opções em relação à Oi, onde a portuguesa Pharol PHR 0,00% tem uma posição relevante de 5,5%, seja através da compra de uma parte da operadora ou então da aquisição da totalidade do capital rival da Vivo (a marca da Telefónica) no Brasil.

Estas movimentações decorrem num momento sensível para a Oi, que em agosto apresentou prejuízos de 353 milhões de euros, o triplo do esperado pelos analistas, e que lançou dúvidas junto das autoridades quanto à viabilidade da operadora de telefonia fixa e móvel.

Segundo outras fontes, a Telefónica contactou o Morgan Stanley para que ajude na aquisição da Oi, que em janeiro tinha contratado os serviços do Bank of America Merrill Lynch para estudar desinvestimentos em áreas não estratégicas e aliviar o fardo da dívida. O El Confidencial lembra que quando a Oi entrou em crise, há três anos, a dívida ascendia a 17 mil milhões de euros.

Desde então a Oi encontra-se em processo de recuperação judicial, mas os problemas continuam a desafiar a companhia. Várias fontes disseram ao jornal que os acionistas da Oi poderiam levar a cabo uma liquidação ordenada da empresa com a venda da divisão de telefonia fixa e móvel.

A Anatel, o regulador brasileiro do setor das telecomunicações, afirmou recentemente que o Governo brasileiro não vai intervir para salvar a Oi, depois de a imprensa local ter noticiado que poderia haver um “resgate” público para salvaguardar a continuidade do serviço aos clientes. Nessa ocasião, revelou que prefere uma solução de mercado para o quarto maior operador do país, com uma quota de mercado de cerca de 18%.

A Telefónica recusou fazer qualquer comentário sobre o assunto. O jornal frisa, porém, que a Anatel não veria com bons olhos a compra da totalidade da Oi, tendo em conta a posição dominante que a Vivo assume neste momento no mercado brasileiro. Por outro lado, para a Telefónica, comprar uma parte da operadora rival poderia representar uma grande oportunidade, sobretudo depois de o Senado brasileiro ter aprovado na semana passada uma nova lei nacional de telecomunicações, a PLC 79.

“Esta movimentação parece bastante surpreendente tendo em conta o nível de endividamento da Telefónica e o foco de redução da dívida da companhia”, referiram os analistas do BPI/CaixaBank numa nota de research publicada esta segunda-feira. “Além disso, a Oi tem sido uma operadora que tem lutado financeiramente com pontos de interrogação na sua viabilidade financeira”, acrescentam.

As ações da Pharol recuam 0,86% para 0,115 euros.

Pharol perde 1%

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