Indústria no norte, comércio no sul. Em que setores trabalham os portugueses?

Se no sul, zona mais turística, a maior parte dos empregos é no setor do comércio, quando se vai para norte é a indústria que domina.

A zona onde se vive acaba muitas vezes por ditar em que área se trabalha. Em Portugal, se residir no norte é mais provável trabalhar na indústria, no Alentejo em agricultura, e no sul no comércio, alojamento ou restauração. Estes são os setores de trabalho que se destacam em relação à média da União Europeia (UE).

Em 2016, existiam 232 milhões de pessoas empregadas na União Europeia, sendo que a maior fatia, quase 30%, estava a trabalhar na administração pública, artes e entretenimento, de acordo com o Eurostat. Uma tendência que se verifica também, por exemplo, na Madeira e nos Açores, em que também é este o setor que domina.

A nível europeu, seguem-se as atividades de comércio, transportes, alojamento e alimentação e informação e comunicação, que empregaram mais de um quarto das pessoas. Mesmo sendo um setor forte na maioria dos países, as regiões mais turísticas acabam por ficar acima desta média. O Algarve é um desses casos, onde a percentagem de pessoas que trabalhavam na área é 50% superior à média da UE.

Avançando para as atividades na área financeira e de seguros, imobiliário, profissional, científica e técnica, administrativas e de serviços de apoio, este setor empregou 16,4% dos trabalhadores na UE. É a área onde Lisboa se destaca. A capital portuguesa tem mais pessoas especializadas na área do que na média europeia.

Nos países de leste e do sul a agricultura ainda é um grande empregador

O setor onde menos trabalhavam é a agricultura, floresta e pescas, que representa apenas 4,5% do total dos empregados nos Estados-membros. Mesmo assim, em algumas regiões esta área é das principais atividades, nomeadamente no sul e leste da Europa. São um exemplo desta tendência países como a Grécia, a Bulgária, a Polónia e a Roménia.

Em Portugal, duas regiões destacam-se também nesta área, em comparação com a média europeia: o Centro e o Alentejo. Apesar disto, em termos de pessoas empregadas, a administração pública é a maior empregadora em ambas as zonas, de acordo com os dados do gabinete de estatísticas da UE.

Especialização laboral nos Estados-membros, tendo em conta a comparação com a média da União EuropeiaEurostat

na indústria estavam 15,3% dos trabalhos da UE. É o setor de atividade que se destaca no Norte em comparação com a UE, sendo também aquele que tem mais trabalhadores. Nesta região cerca de 410 mil pessoas trabalham na indústria.

Administração pública e comércio são os setores com mais trabalhadores em Portugal

Quando se olha apenas para os dados de Portugal, nota-se que em várias regiões, a administração pública acaba por ser a principal empregadora, nas áreas da defesa, educação, saúde e trabalho social. É o caso no Centro, no Alentejo e nas ilhas. As estimativas para 2018 apontam para que 20,5% dos empregados estejam neste setor.

Mesmo assim, é o comércio que leva a maior fatia dos trabalhadores nacionais. É o caso em Lisboa e no Algarve, locais onde a afluência de turistas é muito grande, impulsionando o setor. Mais de um quarto do total dos trabalhos é nesta área, que inclui transportes, alojamento e alimentação.

Setores que empregam mais pessoas em cada região do país, por número de trabalhadores. Fonte: Eurostat

A indústria tem também um lugar de destaque, sendo o terceiro maior setor no emprego em Portugal. O destaque nesta área vai para o norte do país, onde se localizam fábricas como é o caso, por exemplo, da Continental, em Lousado, da Bosch Car Multimedia, em Braga, e da PSA, em Mangualde.

Já a agricultura, floresta e pescas corresponde apenas a 8,6% dos empregos no país. O Norte é a zona de Portugal que emprega mais pessoas nesta área, aproximadamente 167 mil pessoas. Segue-se o Centro do país, onde 165 mil pessoas trabalham neste setor.

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