“Felizes” e “expectantes”, deputados preparam-se para a nova legislatura

Alguns dos novos deputados estão expectantes quanto à nova legislatura e mostraram abertura para estabelecer pontes e diálogo. Conheça algumas das primeiras reações em dia de tomada de posse na AR.

Os deputados eleitos nas legislativas tomam posse esta sexta-feira. As galerias da Assembleia da República (AR) estão repletas de caras novas e preparadas para uma legislatura com três novas forças políticas representadas no Parlamento. E as primeiras reações já começam a surgir.

Rui Rio foi um dos primeiros. Citado pelo Público (acesso condicionado), o presidente do PSD, que vai assumir funções de líder da bancada parlamentar, afirmou ter “dúvidas” de que a nova legislatura chegue até ao fim. “É um Governo minoritário, tem de fazer permanentemente negociações”, justificou. Rio afirmou ainda que o PSD não vai apresentar uma moção de rejeição ao Programa de Governo.

Em declarações transmitidas pela RTP 3, o líder comunista Jerónimo de Sousa, que é o deputado mais antigo do Parlamento, disse que a bancada parlamentar do PCP fará “tudo” para que seja uma legislatura de “avanços e não de recuos”, “incluindo a disponibilidade para o diálogo”. Sobre o facto de estar na AR desde 1976, Jerónimo de Sousa desvalorizou: “Continuo a ter mais projeto do que memória. Vou continuar nesta tarefa até o meu partido entender”, disse. E lembrou que outros antigos deputados constituintes, como Marcelo Rebelo de Sousa (Presidente da República) e Basílio Horta (presidente da Câmara Municipal de Sintra), continuam a ser “políticos em atividade”.

Por sua vez, Cecília Meireles, do CDS-PP, garantiu que está no Parlamento para ficar: “A minha prioridade é representar bem quem me elegeu e isso implica o exercício do mandato”. Além disso, indicou que ainda “não está definido” que comissões parlamentares vão existir.

Inês Sousa Real é uma das deputadas da nova bancada parlamentar do PAN. Aos jornalistas, afirmou que este é um “dia bastante feliz” e mostrou-se agradada em ver “novas forças políticas” na Assembleia. Com poder reforçado, o PAN vai “poder certamente trabalhar mais” naquilo que são as causas sociais e ambientais que tem defendido. Assumindo-se como um “partido feminista” numa legislatura em que mais mulheres assumem funções no hemiciclo, a nova deputada do PAN recordou que, “apesar dos avanços em matéria de igualdade de género, há bastante dificuldade para as mulheres chegarem a cargos de poder e de chefia”.

D’Os Verdes, Mariana Silva assume funções de deputada e mostrou-se expectante numa legislatura de “trabalho digno”, para trazer “desenvolvimento para os portugueses”. Relativamente à agenda ecológica e ambiental do partido, disse esperar ver frutos concretos. “Esperamos que não seja uma moda a questão da ecologia e que a defesa do ambiente se mantenha, não só na teoria como na prática. E que os 37 anos de trabalho [d’Os Verdes] tenham a visibilidade que não tiveram no passado”, reiterou.

A legislatura fica marcada também pela entrada da extrema-direita na AR. André Ventura, do Chega, disse à RTP 3 que foi abordado por “muitos populares” à chegada ao Parlamento e afirmou que vai solicitar uma reunião a Rui Rio na tarde desta sexta-feira. Confrontado com a hipótese de o líder do PSD poder não querer reunir, André Ventura afirmou: “Eu vou querer. Ele pode não querer”.

“Queremos ter uma relação aberta e franca. O nosso objetivo é melhorar a vida dos portugueses e isso passa por criar pontes”, indicou. Confrontado com as críticas dos partidos às posições mais radicais assumidas pelo Chega, André Ventura disse que “os outros partidos” estão “a tentar isolar” o Chgea. “Em democracia, não se deve isolar ninguém. Pedimos que haja respeito pelos portugueses que nos elegeram”, apontou.

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