Bankinter inicia ‘research’ a cotadas portuguesas

Depois de o Haitong ter terminado a cobertura de títulos do PSI-20, chegou o espanhol Bankinter. Em cinco cotadas, recomenda "comprar" em quatro delas e, em todas, vê potencial de ganhos.

Há mais um banco de investimento a produzir notas de research sobre empresas da bolsa de Lisboa. O Bankinter iniciou a cobertura de cinco cotadas do PSI-20 e estima alargar a análise a 15 empresas. A iniciativa acontece numa altura de quebra no número de analistas que olham para as cotadas portuguesas.

“Altri, BCP, Galp, Navigator e NOS são os cinco títulos que a equipa de research começou a cobrir. Nos próximos meses, estima-se que esta cobertura seja alargada a 15 títulos do principal índice da Euronext Lisboa“, anunciou em comunicado o Bankinter, sublinhando que “reforça a sua oferta de instrumentos de análise financeira, contribuindo assim para apoiar os investidores a tomar melhores decisões, com base em informação independente e tecnicamente sólida”.

“Comprar” é a principal recomendação

Das cinco cotadas em análise, o Bankinter dá recomendações de “comprar” a quatro. À Altri atribui um preço-alvo de 6,31 euros, contra os atuais 5,525 euros (com um potencial de subida de 14%). Já ao BCP, vê a valorizar 34% para 0,27% e à Galp atribui um potencial de 18% até aos 17,10 euros.

O Bankinter estima ainda que as ações da NOS subam 28% até aos 6,82 euros. A Navigator é a única, das cinco cotadas sobre as quais iniciou cobertura, a que o Bankinter atribui uma recomendação “neutra”. Ainda assim, espera que a papeleira valorize 6% até aos 3,51 euros.

O reserach destas cinco cotadas junta-se à informação de mercados disponibilizada diária e semanalmente pelo Bankinter, bem como à divulgação trimestral da estratégia de investimento. A área de research do Bankinter, com presença em Portugal e Espanha, é liderada por Ramón Forcada e composta por 13 analistas, sendo que a análise do mercado português está a cargo de João Pisco e Rafael Diogo.

Haitong sai. BiG reforça

O início da cobertura de empresas do PSI-20 acontece numa altura de mudanças para o setor. O Haitong — antigo Banco Espírito Santo Investimento (BESI) e um dos maiores players do setor — anunciou no início do mês aos clientes que deixou de fazer análise financeira de ações portuguesas e espanholas. A decisão foi motivada, principalmente, por um realinhamento do modelo de negócio.

Neste momento, existem 44 casas de research a cobrir empresas portuguesas, sendo que todas as empresas do PSI-20 têm cobertura de análise, bem como cinco cotadas do PSI Geral.

O BPI e a Caixa Banco de Investimento (BI) a destacam-se, com análise sobre 20 e 19 cotadas respetivamente. A partir de Portugal, além destes dois havia até agora mais um, o BiG – Banco de Investimento Global.

A contrariar também a tendência, o BiG reforçou na semana passada a cobertura de research, tendo começado a acompanhar a Galp, à qual atribui um preço-alvo de 14,27 euros (com um potencial de desvalorização de 2%) e recomendação de “manter”. O banco produz research igualmente sobre cinco cotadas: além da Galp, o grupo inclui a REN, Altri, Navigator e Jerónimo Martins.

Apesar da presença destes bancos de investimento em Portugal, é de Espanha que vem o maior número de notas de análise, incluindo do Santander, JB Capital Markets ou BBVA. Grandes players como o Goldman Sachs, o JP Morgan ou o Morgan Stanley focam-se nas empresas maiores e acompanham menos de dez empresas cada.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Bankinter inicia ‘research’ a cotadas portuguesas

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião