Matos Fernandes responde a Rio. Acusa líder do PSD de tomar “decisão errada e irresponsável”

Visivelmente irritado, o ministro acrescentou ainda: "Rui Rio tem de explicar aos lisboetas porque é que nos próximos três anos não haverá obra nenhuma".

Depois de ter sido acusado pelo presidente do PSD, Rui Rio, de “faltar à verdade” na questão do aproveitamento dos fundos comunitários associados à nova linha circular do metro de Lisboa — obra que ficou suspensa na votação do Orçamento do Estado para 2020 — o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, demorou menos de 24 horas a reagir.

“Estou convencido que a intervenção do doutor Rui Rio revela o total desespero de quem tomou uma decisão errada e irresponsável e anda à procura de minudências para salvar a face numa decisão que tomou mesmo depois de ter sido avisado por um dos seus vice-presidentes, que lhe disse que era um erro para o PSD”, disse o ministro numa audição esta quarta-feira na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, esta quarta-feira no Parlamento. Visivelmente irritado, o ministro acrescentou ainda: “Rui Rio tem de explicar aos lisboetas porque é que nos próximos três anos não vai haver obra nenhuma”.

“O projeto [da linha circular do metro de Lisboa] não está suspenso”, garantiu o ministro.

Na sequência da intervenção de Matos Fernandes, o deputado Hugo Carvalho do PSD não hesitou em dizer que “quem andou em cambalhotas de argumentos sobre a perda de fundos comunitários foi o Governo” e “quem foi apanhado a mentir foram vocês”, sem adiantar mais sobre o assunto. Perante isto, o ministro disse ter “pena que o PSD não tenha feito nenhuma questão sobre metro de Lisboa. Queria tanto falar das graves consequências de ter sido suspensa a obra”.

O ministro do Ambiente e Ação Climática frisou ainda que “o PSD está contra o combate às alterações climáticas”, honrando a sua tradição. Matos Fernandes lembrou quando o anterior Governo PSD/CDS exigiu que os novos autocarros da Carris fossem “a diesel e em segunda mão”.

“Numa atitude de desespero, de quem não sabe mais o que fazer, o líder do PSD tentou demarcar-se da forma como votou. Os lisboetas perderam e o PSD tem de explicar aos lisboetas, e não só, porque é que não se vai fazer esta obra, que a que melhor serve a cidade”, com um público-alvo de 14 milhões de utilizadores, disse o ministro. Na sua visão, o PSD está “mais radicalizado” e “extremou o seu discurso para fazer acreditar que suspender esta obra pública não tem impacto nenhum. O PSD enganou-se na porta do ponto de vista ambiental, ao suspender a obra do metro de Lisboa“, rematou Matos Fernandes.

Perante as questões do CDS sobre o porquê da assinatura do contrato de construção da linha circular do metro ter sido feita a um sábado, longe dos holofotes, o ministro atirou: “Parece que não foi só o PSD que percebeu que fez uma grande asneira. O CDS também”.

Já na segunda-feira ao final do dia, pouco depois das acusações de Rio na Assembleia da República, Matos Fernandes tinha acusado o toque face às insinuações de falta à verdade, e mesmo “mentira”, por parte do líder do PSD, muito fora de contexto, num discurso no ISEG por ocasião do lançamento de um novo curso de Sustainable Finance. “Costuma ser pedido a um ministro do Ambiente que diga muitas vezes não [a decisões de crescimento económico], qual virgem ofendida. Apesar do doutor Rui Rio ter acabado de me chamar mentiroso não me sinto virgem nem ofendida. E dizer não é uma resposta simples demais”, disse.

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