Em dois dias, coronavírus passa fatura de 3,7 mil milhões à bolsa de Lisboa

Investidores nacionais tiraram 3,7 mil milhões de euros da bolsa lisboeta nas últimas duas sessões, perante os receios com a propagação do coronavírus na Europa.

Cresce o medo com a propagação do coronavírus na Europa, avolumam-se as perdas nos mercados acionistas. A bolsa de Lisboa não foi exceção. Em apenas duas sessões — esta segunda e terça-feira — as principais cotadas portuguesas “encolheram” 3,67 mil milhões de euros, tal foi a dimensão da aversão ao risco no PSI-20. É uma perda superior ao valor de mercado do BCP (vale hoje 2,6 mil milhões), por exemplo.

Esta terça-feira, o pânico regressou aos mercados com mais países europeus a registarem os primeiros casos. Itália, onde reside o principal foco de tensão no Velho Continente, já soma mais de 320 infetados e lamenta a morte de dez pessoas. Em Espanha, mil turistas estão isolados num hotel em Tenerife, como medida de precaução porque havia hospedado um doente com o Covid-19. Por cá, não se confirmou ainda nenhuma das suspeitas.

As bolsas europeias voltaram a registar perdas acentuadas. O PSI-20, o principal índice português, cedeu mais de 2%. Isto depois de ter registado esta segunda-feira a pior sessão desde o referendo britânico sobre o Brexit, em junho de 2016.

Nestes dois dias, o principal perdedor na bolsa de Lisboa foi a EDP. As ações da elétrica liderada por António Mexia tinham acabado de atingir máximos de sempre na semana passada. Mas, um ápice, tudo mudou. Tombam mais de 7% esta semana, o equivalente a 1,2 mil milhões de euros do valor em bolsa da utility nacional, atualmente nos 16,5 mil milhões.

EDP perde 1,2 mil milhões em dois dias

Fonte: Reuters

EDP Renováveis e Galp viram os respetivos market caps cederem na ordem dos 500 milhões de euros. A empresa de renováveis contrai 4,6% desde segunda-feira. A petrolífera cede quase 5%.

A Jerónimo Martins, quarta maior cotada da bolsa, registou uma desvalorização de 360 milhões de euros em dois dias. A retalhista é atualmente a quarta maior cotada, com um valor de mercado de 10,44 mil milhões de euros.

Outra grande cotada, o BCP “encolheu” 250 milhões de euros, ficando avaliado em 2,6 mil milhões de euros após perder 8,75% nas últimas duas sessões.

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