Bolsa de Lisboa começa a recuperar do coronavírus. Nos, BCP e CTT sobem 2%

Até perceberem qual o impacto real do surto na economia, os investidores parecerem estar a aproveitar as fortes quedas para realizar mais-valias. As principais bolsas europeias fecharam em alta.

As bolsas europeias entraram em recuperação após dois dias de selloff relacionado com o coronavírus. À parte do índice italiano FTSE MIB (país europeu onde há atualmente maior número de infetados), o português PSI-20 foi o que mais ganhou na Europa. Nos, BCP e CTT foram as cotadas que mais subiram, com ganhos próximos de 2%.

O PSI-20 avançou 0,63% para 5.110,34 pontos, esta quarta-feira, no primeiro dia de recuperação após duas sessões de fortes perdas. O índice limpou todos os ganhos do ano e, só esta semana, acumula uma perda superior a 5%, o que significa uma quebra de três mil milhões de euros na capitalização bolsista.

A liderar a correção esteve a Nos, uma das empresas mais penalizadas pois, além do receio generalizado em relação ao vírus, já estava a ser castigada pelo anúncio de corte de dividendos, feito na apresentação de contas anuais. Após tocar o valor mais baixo desde 17 de julho de 2013, a telecom liderada por Miguel Almeida fechou a ganhar 1,83% para 3,898 euros por ação.

Mas foi o BCP que mais ajudou o índice, com uma valorização de 1,73% para 0,1763 euros. “Os quatro maiores componentes do PSI-20 (BCP, Galp, Jerónimo Martins e EDP) concentram 50% do valor do índice, sendo que o BCP sozinho representa 17%. Uma vez que os outros três principais componentes se encontram em território neutro, o PSI-20 apresentou uma valorização no dia de 0,63%, sendo que o BCP foi responsável por 0,49%. A subida resulta de um sentimento exterior de correção das perdas acentuadas dos últimos dias que permite às ações do BCP serem impulsionadas pelos bons resultados de 2019“, explicou Mário Martins, senior business development manager da ActivTrades, ao ECO.

O banco registou, no ano passado, os maiores lucros desde 2012, o que foi “ignorado” pelos investidores devido à forte venda de todos os ativos de risco. “Esta mancha vermelha que afetou os mercados impediu que as ações do BCP tivessem subido na sequência das declarações de Miguel Maya”, refere Martins. Além do BCP, também os CTT subiram 1,69% para 2,534 euros e a Jerónimo Martins subiu 1,11% para 16,80 euros.

A EDP Renováveis, a Galp e a EDP registaram ganhos próximos de 1%. A Mota-Engil, cotada do PSI-20 que mais cai desde o início da semana (de mais de 10%), fechou inalterada, em 1,437 euros. Ainda assim, dez das 18 cotadas do PSI-20 fecharam em terreno negativo. É o caso da Ibersol (-3,51%), da Ramada (-2,53%) ou da Sonae Capital (-1,75%).

“Tal como os seus pares europeus, o PSI-20 viveu uma sessão bastante volátil”, apontam os analistas do BPI. “Os movimentos do índice português espelharam o padrão observado no resto da Europa: uma abertura negativa que se prolongou durante a manhã, antes de uma recuperação se materializar. Não obstante toda esta volatilidade, a maioria dos membros do PSI-20 fechou em alta, permitindo ao índice nacional apresentar uma valorização superior ao dos seus congéneres europeus“.

O italiano FTSE MIB disparou 1,5%, tendo sido o único índice a superar o PSI-20, enquanto o espanhol IBEX 35 ficou próximo de Portugal, com um ganho de 0,6%. O britânico FTSE 100 subiu 0,3%, o alemão DAX e o francês CAC 40 ganharam ambos 0,1% e o índice Stoxx 600 fechou flat.

PSI-20 lidera ganhos na Europa

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Bolsa de Lisboa começa a recuperar do coronavírus. Nos, BCP e CTT sobem 2%

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião