Energia puxa por Lisboa. Petróleo dispara 5%

Numa sessão marcada por forte volatilidade nas praças europeias, a bolsa de Lisboa fechou em terreno positivo. Setor da energia deu um forte contributo, animado pela escalada do petróleo.

Após a chegada do coronavírus à Europa ter atirado as bolsas para a pior semana desde 2008, chegou a recuperação. O PSI-20 — que acumulava uma perda de 11,55% ou 7,4 mil milhões de euros devido ao surto — ganhou esta segunda-feira 1% para 4.816,12 pontos, com a ajuda das energéticas. Por toda a Europa, as empresas do setor acompanharam as fortes valorizações do petróleo.

A REN foi a cotada que mais valorizou no índice, com um disparo de 5,56% para 2,66 euros por ação. A EDP subiu 2,3% para 4,32 euros e a EDP Renováveis avançou 0,82% para 12,30 euros. A Galp Energia somou 2,3% para 12,65 euros, à boleia dos preços da matéria-prima, que avançam 5% com a perspetiva de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) anunciem nos próximos dias medidas de mitigação do impacto do surto no mercado petrolífero.

Além da energia, também o retalho ajudou o PSI-20. A Sonae disparou 3,04% para 0,73 euros e a Jerónimo Martins somou 0,57% para 15,99 euros. Em sentido contrário, as quedas do BCP (-1,78% para 0,1596 euros, no valor mais baixo em três anos) e da Nos (-1,34% para 3,52 euros) travam a recuperação da bolsa portuguesa.

“O PSI-20 foi mais bem-sucedido do que os seus pares europeus na tentativa de recuperar uma parte das perdas sofridas na semana passada”, dizem os analistas do BPI, numa nota de fecho da sessão. “A sessão europeia foi particularmente volátil”.

As principais praças europeias chegaram a disparar 2% na sessão, mas acabaram por fechar entre ganhos e perdas ligeiros. O Stoxx 600 subiu 0,2%, o francês CAC 40 somou 0,44% e o espanhol IBEX 35 valorizou 0,21%. Por outro lado, o alemão DAX perdeu 0,27% e o italiano FTSE MIB recuou 1,5%.

A motivar estas valorizações esteve a expectativa de que os bancos centrais possam adotar medidas de estímulo de forma a conter os efeitos nocivos da epidemia“, aponta o BPI. Na sexta-feira, o presidente da Reserva Federal norte-americana Jerome Powell afirmou que o banco central está pronto a intervir, tal como o Banco do Japão e instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial. “Não obstante estes indícios de um possível apoio dos Bancos Centrais, o ânimo dos investidores pautou-se por um elevado nervosismo”, acrescentou.

Enquanto as ações começam a recuperar, os juros das dívidas soberanas continuam sob pressão. A yield das Bunds alemãs a dez anos estão em terreno cada vez mais negativo, tendo alcançado os -0,623%. Em Portugal, o juro das obrigações com a mesma maturidade negoceiam em 0,314%.

(Notícia atualizada às 17h10)

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