Covid-19 ameaça seguradoras de crédito em dois flancos

  • ECO Seguros
  • 15 Março 2020

Perdas devidas à desvalorização de investimentos e acréscimo de indemnizações em seguros de crédito ameaçam companhias como Euler Hermes, Coface e Atradius.

A pandemia de Covid-19 pode atingir as seguradoras globais dos seguros de crédito comercial e de exportação por via de um acréscimo de indemnizações a pagar e, por outro lado, em perdas financeiras significativas em investimentos, adverte um artigo da Insurance Business Magazine.

A agência e notação financeira Moody’s prevê que o aumento dos sinistros atingirá três das maiores seguradoras de crédito, nomeadamente a Atradius, Coface (companhia francesa de raiz estatal atualmente na órbita do Natixis) e Euler Hermes (acionista da portuguesa Cosec), todas – direta ou indiretamente – presentes em Portugal.

A agência de notação financeira apontou os casos da Atradius (controlada pela espanhola Crédito y Caución) e da Coface para mostrar que, para cada empresa, quase 15% da exposição potencial líquida total está nas regiões mais atingidas da Ásia e Austrália.

Inicialmente, o setor esperava um nível relativamente baixo de reclamações de segurados porque as epidemias estão geralmente excluídas de muitas apólices comerciais, mas o cenário de recessão económica global coloca as companhias que operam em seguros de crédito sob pressão acrescida.

Além de agravar a expectativa de retorno dos investimentos das seguradoras, uma carteira estimada em 20 biliões de dólares (cerca de 17,6 biliões de euros) em ativos, à parte um volume significativo de obrigações de dívida pública, os seguros de crédito comerciais representam aproximadamente 11 mil milhões de dólares (9,7 mil milhões de euros).

A Atradius (também representada em Portugal) assumiu recentemente que espera um aumento global de 2,4% em falências empresariais em 2020 “em grande parte resultantes do surto de coronavírus”, adianta a fonte citando a Reuters.

Com os governos a bloquearem regiões e grandes eventos, outros setores estão a cancelar ou a adiar operações, acrescentando incerteza na economia global. As viagens e o entretenimento são os dois setores sobre os quais as seguradoras de crédito são mais cautelosas, segundo Bernie De Haldevang, responsável de crédito, risco político e gestão de crise da seguradora Canopius, na plataforma Lloyd´s of London.

As companhias aéreas estão a sofrer ondas de choque à medida que somam voos cancelados, e os grupos hoteleiros, assim como as companhias de cruzeiro, também sentem o impacto severo da crise causada pelo novo coronavírus, sendo que estes efeitos poderão tornar-se ainda mais sérios em caso de recessão.

Na China, várias seguradoras já tomaram medidas drásticas, retirando a cobertura do seguro de crédito, referiu a corretora de seguros Marsh. “Não é um bom momento para ninguém no mundo do crédito”, disse Jeremy Shallow, chefe de especialidade da seguradora Argo Global.

Restrições de viagem para países como Itália e Israel levarão a mais pagamentos de seguros, enquanto o cancelamento de eventos como o festival de música e cinema Southwest no Texas ou o adiamento do Coachella na Califórnia contribuirá para um acréscimo na gestão de sinistros.

Analistas do Barclays notaram que as perdas do coronavírus da Munique RE foram “potencialmente mais materiais do que pensávamos”, visto que a resseguradora global assinalou uma exposição de 500 milhões de euros se todos eventos que segurou este ano fossem cancelados. A resseguradora também antecipa perdas nos seguros Vida como um problema se o número de vítimas fatais continuar a aumentar.

Entretanto, a rentabilidade de investimentos de que as seguradoras dependem para pagar indemnizações está em quebra. Pelo menos 50% dos 20 biliões de dólares de ativos que as seguradoras detêm sob gestão são títulos de dívida pública cuja rentabilidade perde atratividade. Por sua vez, as seguradoras precisam colocar de lado mais capital para futuros pagamentos aos segurados, obrigando a vigiar com mais rigor os níveis de solvência.

Acresce que o sentimento vendedor em mercados bolsistas devido aos receios do coronavírus já retirou cerca de 11 biliões de dólares ao valor das ações globais. “Os movimentos de mercado estão a dar às seguradoras muito em que pensar – em particular com os seus modelos de risco de mercado –”, nota um relatório da Reuters citando Colin Tipping, responsável pela gestão de investimentos em seguros da Mercer.

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